Diminui o número de pediatras no Brasil

Baixa remuneração e excesso de trabalho são alguns dos motivos que fazem dessa uma das especializações menos procuradas

Chris Bertelli, iG São Paulo |

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Consultas garantem saúde e crescimento adequado
Marina Reis, 15 anos, além de cantora, quer ser pediatra. Um sonho que tem sido cada vez menos freqüente, principalmente entre os médicos. Em 1999, 1583 recém-formados se candidataram ao título nessa especialidade, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Pediatria. Segundo o último levantamento, realizado no ano passado, o número passou para 794, uma redução de 50% em dez anos. A demanda para residência nessa área também diminuiu.

“Basicamente, a redução se dá em função da baixa remuneração. É uma área extremamente trabalhosa e mal remunerada”, afirma Clóvis Francisco Constantino, presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo. José Fernando Vinagre, conselheiro do Conselho Federal de Medicina (CFM) e pediatra, concorda: “O pediatra vive basicamente de consulta clínica e a remuneração pelos planos de saúde é baixa. Hoje, quase não existem clínicas privadas, o pai deixa de pagar o plano de saúde para ele, mas não deixa o filho sem. Além disso, a taxa de natalidade no Brasil caiu”, afirma.

Formada há seis meses, Andreia Ribeiro Silva, de 28 anos, acredita que os colegas de profissão tem aversão à área. “A maioria quer clínica ou cirúrgica. Eles sonham em se formar e atender num Pronto-Socorro, salvando vidas. A pediatria envolve pai, mãe, avós e muita conversa. Você vai cuidar da profilaxia, da prevenção da saúde daquela criança. A maioria quer se centrar apenas na doença, querem resolver logo o problema e a pediatria não pode ser assim”, diz ela. Nesta terça-feira, dia 27 de julho, comemora-se o dia do pediatra e o centenário da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Já faltam profissionais

A carência de estudantes para a área já se reflete em hospitais, unidades básicas de saúde e centros médicos de todo o País. “Hoje em dia sobram vagas”, relata Andreia, que acompanha o mercado de perto. O Brasil tem apenas vinte mil pediatras cadastrados na entidade do setor. O ideal, segundo Constantino, seria de um pediatra para cada 80 mil crianças/adolescentes.

O presidente da Associação de Pediatria de São Paulo destaca também outra conseqüência: a má distribuição dos profissionais. “Ainda é possível encontrá-los nos grandes centros, no entanto, na periferia, eles são raros. Não há remuneração adequada, nem segurança, assim eles procuram lugares mais centrais.”

A função do pediatra

O pediatra é o profissional que deve estar presente na vida de crianças e adolescentes desde o aleitamento materno, passando pelas imunizações, pelo acompanhamento e orientações necessárias a um crescimento e desenvolvimento saudáveis. De acordo com pesquisa encomendada pela farmacêutica Pfizer, 88% das mães brasileiras consideram o pediatra a principal referência quando o assunto é saúde dos filhos.

No primeiro ano de vida, a criança deve ir ao consultório mensalmente. O profissional vai avaliar o desenvolvimento físico e motor, além de passar para a mãe orientações sobre as vacinas e sobre alimentação. Do primeiro ao segundo ano, as consultas devem ser realizadas a cada seis meses. Depois dessa idade, o ideal é que a criança faça algum tipo de acompanhamento anualmente. “As consultas são preventivas e propiciam à criança saúde dentro das maiores possibilidades. Essa é uma questão de saúde pública”, avalia Vinagre.

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