SÃO PAULO - Com os cabelos mais claros e repicados, sem óculos, usando maquiagem, um colar de pérolas e um terno de duas cores. Foi assim que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apareceu na 36ª Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos de Couro, realizada na segunda-feira, no Parque Anhembi, em São Paulo. Apesar das atenções voltadas ao novo visual de Dilma, marqueteiros divergem sobre seus efeitos em uma possível candidatura à presidência da República em 2010.



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Novo visual de Dilma
Novo visual de Dilma

Para Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP) e autor, entre outros, do livro 'Estratégias Eleitorais e Marketing Político' (Editora Summus), a ministra fez uma grande besteira ao mudar o visual e isso pode atrapalhá-la na próxima eleição. Como candidata, ela estava muito melhor com o visual antigo. Agora, está bem mais jovem e, para a candidatura, não sei até onde isso ajuda. Para mim, atrapalha, afirma.

Segundo Manhanelli, além de parecer uma pessoa mais séria, a aparência antiga dava a Dilma a imagem de mãe e protetora dos pobres, o que poderia lhe contar pontos a favor na disputa. A imagem era mais crível. Com certeza pesou a plástica que ela fez, diz.

A assessoria do ministério não confirma as possíveis cirurgias no rosto e no pescoço que a ministra teria realizado no final do ano passado em Porto Alegre (RS), mas, para o marqueteiro, as intervenções estéticas são nítidas. Você percebe que foi tirado o bigode xadrez (sinais de expressão em volta da boca e no queixo). Ou ela fez plástica ou colocou botox para esticar a cara, arrisca.

O marqueteiro, que, em 2008, foi consultor de 14 candidatos a prefeito, considera as ações corretivas bem-vindas, como a retirada de pálpebras caídas. Mas discorda de cirurgias puramente estéticas. Ela parece querer mentir a idade. Não tem necessidade de fazer isso se ela quer partir para campanha de presidente, onde a experiência é o que conta mais, afirma.  

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Antes e depois de Dilma Rousseff

O hoje e o ontem de Dilma Rousseff

O consultor em marketing político Chico Santa Rita, que elegeu cinco prefeitos no 1º turno das eleições de 2008, também é contra grandes mudanças no visual e afirma que a cirurgia plástica pode parecer um mascaramento da realidade.  Não faço esse tipo de coisa, o candidato tem que ser apresentado dentro do que ele é. O que faço é procurar o melhor ângulo e roupas adequadas, conta.

Santa Rita, que diz nunca ter colocado ou retirado óculos de candidato, considera que a mudança de Dilma não deve acrescer ou diminuir os seus possíveis votos. O fundamental é ter bom conteúdo e estar bem inserido no momento eleitoral. A pessoa é o que é, não ganha pintando o cabelo, completa.

Nelson Biondi Filho, marqueteiro do prefeito reeleito de Curitiba em 2008, Beto Richa, considera que a nova imagem de Dilma Roussef vai facilitar fotografias e aparições na TV se ela for candidata. Ele, que já modificou os óculos de Paulo Maluf (PP), diz que a aparência da ministra ficou menos agressiva.  Ela ficou bem melhor. Mexeu nos olhos, nas pálpebras e tirou o bigode japonês. Está com a aparência mais descansada, afirma.

Outro ponto que Biondi destaca é o visual menos austero e mal- humorado que, para ele, deverá favorecê-la em uma eleição mais digital. Ela não tinha grandes cuidados, tinha ar de senhora de 61 anos. Agora, continua com ar de senhora, mas mais bem cuidada. Dilma teve só ganho de imagem, não vejo prejuízo, disse.

Dilma "ganha versão" 2009... ou 2010; veja vídeo

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