A ex-ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à sucessão no Palácio do Planalto, confirmou nesta segunda-feira que o PMDB terá o posto de vice na chapa encabeçada pelo PT à Presidência da República e elogiou a provável indicação do deputado federal Michel Temer (PMDB-SP) para a composição da dobradinha.

Em entrevista concedida ao "Jornal da Manhã", da Rádio Jovem Pan, a presidenciável indicou, no entanto, que haverá um diálogo com o PT para a definição do nome do vice, que será escolhido oficialmente na Convenção Nacional do PMDB em junho.

"A escolha do vice deve ser uma questão em que o partido que comporá a chapa majoritária conosco, que é o PMDB, tenha uma participação muito importante", afirmou a ministra. "Será o candidato que o PMDB indicar e que o PT considere que seja o mais indicado. É natural que haja um processo de diálogo entre os dois partidos, e nem acredito que o PMDB não o faça", acrescentou a ministra. A petista citou o nome de Temer para a disputa, segundo ela "um paulista respeitado". "Até agora o nome cogitado tem sido o do deputado Temer, que, sem sombra de dúvida, tem todas as qualificações para pleitear o posto", afirmou.

Dilma foi perguntada sobre a crítica ao pré-candidato do PSDB, o ex-governador José Serra, feita em entrevista publicada hoje pelo jornal "O Estado de S.Paulo". No jornal, a petista acusou o tucano, enquanto ministro do Planejamento (1995-1996), de ter "gestado" o apagão. Em resposta à rádio, Dilma ponderou a afirmação. De acordo com ela, a responsabilidade pelo racionamento de energia não foi apenas de Serra, mas de todos os ministérios da gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

"O racionamento de oito meses ocorreu. A questão é: como um racionamento acontece? Não acontece de um dia para o outro, acontece porque não se planeja", reafirmou a ex-ministra. "Os responsáveis foram todos os ministérios ligados à área. A questão de planejar era um ponto fora da curva de qualquer governo. Então, houve uma falha de oito meses. Os responsáveis são vários, o governo inteiro."

Conselheiro

Questionada, Dilma confirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá espaço em seu eventual governo, dando-lhe conselhos quando for necessário. "Eu tenho uma relação além de política com o presidente. Tenho um sentimento muito forte de respeito", disse a ex-ministra.

"Tenho em Lula uma pessoa que sempre escutarei a opinião. Eu não serei a única a consultá-lo em um governo, outros líderes também o consultarão. Nós compartilhamos do mesmo projeto de Brasil."

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