Dilma ressalta democracia e lembra companheiros mortos

BRASÍLIA (Reuters) - Ex-presa política por ter combatido o regime militar que prevaleceu no Brasil por mais de duas décadas, a ministra Dilma Rousseff defendeu neste sábado a democracia brasileira e lembrou, ao aceitar a indicação para disputar a sucessão presidencial pelo PT, de companheiros mortos na luta contra a ditadura. Hoje estamos construindo um novo país na democracia... onde todos, todos, mas todos mesmo, expressam livremente suas opiniões e suas ideias, disse a ministra no encerramento do 4o Congresso do PT. Nunca mais viveremos numa gaiola, numa jaula ou numa prisão.

Reuters |

Escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar sucedê-lo no comando do país, a ministra-chefe da Casa Civil rebateu aqueles que veem em medidas e propostas do governo ameaças à democracia.

"Quem duvidar do vigor da nossa democracia que leia, que escute ou que veja o que dizem os jornais livremente, o que dizem nos jornais livremente as vozes oposicionistas", disse.

"Preferimos as vozes dessas oposições --ainda quando mentirosas, injustas e caluniosas-- ao silêncio das ditaduras."

Perto do final de seu discurso, ao agradecer parentes e companheiros, fez menção especial aos "que não estão mais conosco" porque "caíram pelos nossos ideais".

Ela citou especificamente Carlos Alberto Soares de Freitas (desaparecido em 1971), Maria Auxiliadora Lara Barcelos e Iara Yavelberg.

Maria Auxiliadora se suicidou em Berlim Ocidental, em 1974, depois de ter passado um período presa no Brasil.

Iara, companheira de Carlos Lamarca, morreu em 1971, mas existem três versões diferentes sobre sua morte. Segundo relatório do Ministério da Aeronáutica, suicidou-se em Salvador quando foi cercada pela polícia. Moradores do prédio, porém, afirma que foi baleada pela Polícia Federal. Já presos políticos afirmam que ela teria sido morta sob tortura.

Emocionada, Dilma homenageou os ex-companheiros.

"Beto, você ia adorar estar aqui conosco... Dodora, você está aqui no meu coração... Iara, que falta fazem guerreiras como você."

(Texto de Alexandre Caverni)

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