A ex-ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à presidência da República, recebeu hoje à noite o título de cidadã fortalezense. Entrou por uma área reservada da Câmara Municipal de Fortaleza e não quis falar com os jornalistas.

Na mesa, não estava o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), que foi representado pelo vice, Francisco Pinheiro (PT). A assessoria de Cid informou que ele não compareceu à cerimônia porque estava com "problemas pessoais". Cid é irmão do deputado Ciro Gomes, que continua tentando emplacar sua candidatura pelo PSB como aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
À tarde, o governador do Ceará também não foi ao encontro marcado desde a semana passada com a prefeita Luizianne Lins (PT). Pela manhã, o tucano Tasso Jereissati, aliado histórico dos Ferreira Gomes no Ceará, dava sinais de que a visita de Dilma não seria bem interpretada. "É uma afronta ao Ciro", disparou o tucano.
Dilma recebeu a homenagem vestida de roxo. Luizianne estava com o usual terno vermelho e com uma rosa negra nos cabelos. O autor da honraria, vereador Acrísio Sena (PT), saudou as duas como "guerreiras". A entrega do título foi feita por todos os vereadores presentes. Em seu discurso de agradecimento, Dilma lembrou o aniversário da cidade, que completa 284 anos nesta terça-feira (13).
"Tenho a honra de receber o título de cidadã na véspera desse aniversário. A data não poderia ser mais auspiciosa", comentou. "Recebo como uma homenagem ao governo do presidente Lula", acrescentou. Mesmo estando ele ausente, Dilma fez questão de enaltecer a parceria feita pelo governo federal com o governador Cid Gomes.
"Tenho um carinho muito especial por Fortaleza e pelo Ceará porque aqui tem um povo forte e generoso", disse.
O amor pelo Ceará, segundo ela, começou através dos livros do escritor cearense José de Alencar. Dilma também citou a escritora cearense Rachel de Queiroz. "Foi através dela que conheci a dura realidade da seca", afirmou. A ex-ministra só se enrolou quando falou sobre a Padaria Espiritual, movimento literário cearense do final do século 19. "Teve também a Padaria, como era mesmo o nome?", pediu ajuda da plateia.
Dilma mencionou os nomes de várias mulheres que fizeram parte da história do Ceará. Desde a pernambucana Bárbara de Alencar - uma das líderes da Confederação do Equador -, passando pela ex-prefeita Maria Luiza Fontenele, eleita pelo PT, em 1985, primeira mulher prefeita de uma capital e cujo governo é lembrado como desastroso, até Maria da Penha, a farmacêutica que batizou a lei de proteção às vítimas de violência doméstica.

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