Dilma quer que PF só investigue vazamento do dossiê

Quinze dias depois de prometer investigar a confecção de um dossiê e o vazamento dos dados coletados em um arquivo da Casa Civil com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira dama Ruth Cardoso, o governo continua sem convocar a Polícia Federal para investigar o caso.

Agência Estado |

A convocação da PF foi discutida no fim de semana em conversas do ministro da Justiça, Tarso Genro, com assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A ministra Dilma Rousseff quer que a PF, se for inevitável convocá-la, investigue apenas o vazamento - sem tratar da elaboração do material.

Para discutir o assunto com o próprio presidente, o ministro Tarso Genro cancelou a viagem que faria hoje para Portugal, onde iria participar do 1º Fórum dos Ministros da Administração Interna dos Países da Comunidade de Língua Portuguesa.

Oficialmente, o ministro da Justiça cancelou a viagem por causa da situação crítica envolvendo a reserva indígena Raposa Serra do Sol (RR), onde agricultores arrozeiros resistem à saída das terras oficialmente demarcadas.

O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, também estava com o embarque marcado para Lisboa na noite de domingo, mas fez várias reuniões com a cúpula da PF, no sábado e domingo, para tratar do dossiê. O ministrou já admitiu publicamente que os federais poderão entrar na investigação caso a instituição seja provocada. Especialistas avaliam que a Polícia Federal não precisa ser oficialmente acionada para abrir inquérito.

A tendência é que os agentes federais entrem nas investigações, mas o comando da corporação não quer que o Planalto defina o campo de ação, o que daria ao trabalho a marca de uma missão chapa-branca. Uma fonte da PF avaliou que é inevitável uma investigação ampla. Segundo ele, é crime coletar dados sigilosos e é crime vazar esse tipo de informação. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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