Dilma passa 20%, mas perderia eleição para Serra, diz pesquisa encomendada pelo PT

BRASÍLIA - Pesquisa encomendada pelo PT ao Instituto Vox Populi mostra que a pré-candidata do partido à Presidência, Dilma Rousseff, tem entre 19% e 25% de intenção de votos para a Presidência da República, caso seja candidata em 2010. Quando comparada ao governador de São Paulo, José Serra, a ministra chefe da Casa Civil perde de 43% a 22%.

Redação com Valor Online |

A pesquisa mostra a ministra em uma disputa acirrada contra Ciro Gomes (PSB), pré-candidato do bloco de esquerda, na disputa de 2010. Ciro cai de 23% para 17% nas intenções de voto e Dilma sobe de 9% para 19% quando o candidato tucano for José Serra (SP), que fica com 36%.

Com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), no lugar de Serra, Dilma e Ciro aparecem em empate técnico, mas com leve vantagem para o pessebista: Ciro 23%; Dilma 21% e Aécio 18%. Na última pesquisa CNT-Sensus, a candidata petista já aparecia à frente de Ciro, na pesquisa espontânea.

A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 7 de maio, com 2 mil entrevistados em diversas regiões do país. A margem de erro é de 2,2% pontos percentuais para mais ou para menos. Quando a pesquisa foi feita, fazia uma semana que Dilma anunciara estar em tratamento por causa de um câncer linfático.

Sem Ciro na disputa, Dilma levaria vantagem em relação a Aécio - 25% a 20% - mas seria derrotada por Serra - 43% a 22%. Neste último cenário, a petista tem seu melhor desempenho diante de Serra. Por outro lado, o governador de São Paulo também ganha parte parte das intenções de voto do candidato do PSB. Sem Ciro, Serra passa de 36% para 43%.

A pesquisa foi comemorada pelos petistas porque a expectativa mais otimista do partido era que Dilma apresentasse este resultado apenas em setembro.

No site do partido, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), afirma que "o desempenho da ministra Dilma é consistente, levando-se em conta que boa parte da população não a conhece e não sabe ainda que Lula e o PT a apoiam". Mais comedido, o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP) avaliou que os números são bons, mas não podem trazer ilusão. "Pesquisa de opinião mais de um ano antes das eleições tem pouco valor".

O líder petista, contudo, acha que algumas estratégias adotadas podem explicar essa ascensão. Uma delas foi transformar Dilma na principal estrela do programa partidário que está sendo exibido pela tevê no momento. Mas o principal motivo, avalia, foi a campanha feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, levando-a a tiracolo em todas as viagens. "A população começou a percebê-la como alguém que, de fato, tem condições de dar continuidade ao atual governo, por ser a grande gerente administrativa dele" , completou Vaccarezza.

Líder do governo no Congresso, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) aproveitou também para provocar a oposição. Lembrou que ações frustradas, como a investida no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusando o governo de propaganda política antecipada no Encontro dos Prefeitos realizado em fevereiro garantiu um marketing gratuito à candidatura Dilma.

A descoberta do câncer no sistema linfático foi outro fator a ajudar Dilma, na opinião dos petistas, pois humanizou-a perante a população. A líder no Congresso ressalta as duas entrevistas dadas pela ministra - a primeira, no anúncio da doença, em abril, e a segunda, na quarta-feira, quando deixou o hospital após passar dois dias internada -, como demonstração de equilíbrio.

Esta última internação vai trazer mudanças no cenário, acreditam os correligionários de Dilma. Depois de sentir fortes dores como uma reação a um dos medicamentos do tratamento quimioterápico, Dilma terá que reduzir seu ritmo de trabalho e de campanha, seguindo orientações médicas. "Os dois dígitos estão consolidados. Esta parada forçada fará com que ela siga crescendo, mas a uma velocidade mais lenta que o ritmo atual", acredita um experiente petista.

O levantamento mostrou ainda que o PT continua sendo o partido de maior preferência da população, com 29% de aprovação, seguido pelo PMDB com 8%; e PSDB, com 7% e o DEM com 1%.

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