A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse hoje (13) que o custo das ações relacionadas ao compromisso do Brasil com a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa, anunciado hoje, foi calculado pelo governo, mas não foi aprovado e, por esse motivo, não foi divulgado. O governo se comprometeu a diminuir a emissão de gases até 2020 entre 36% e 39%.

"Nós fizemos esse levantamento. Fizemos uma avaliação preliminar de valores, não achamos que essa avaliação estava boa", afirmou a ministra, em entrevista coletiva concedida em São Paulo.
Segundo Dilma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ficou satisfeito com a estimativa e decidiu que uma nova avaliação será feita. A ministra afirmou que a maior parte dos recursos que serão necessários para atingir a meta terá origem no governo federal, mas cobrou compromisso da iniciativa privada, governos estaduais e comunidade científica uma participação ativa nos debates que serão feitos para discutir a questão. Dilma disse ainda que o acesso a linhas de financiamento internacionais definirá até que ponto o Brasil poderá reduzir as emissões de forma mais significativa.
"Deixamos o intervalo para poder justamente abrir a discussão com a sociedade e para ver a possibilidade de financiamento internacional", afirmou. "O presidente Lula determinou então que, a partir dessa conversa que vamos abrir com setor da academia, iniciativa privada e governos estaduais, vamos ter uma avaliação do que nós 'precificamos' para nós, governo federal, e obviamente tentar fazer uma avaliação com eles, do que eles 'precificam' para si", afirmou.
Dilma disse que o governo considerou "prudente" que outros setores participassem das discussões. "Nós achamos que era prudente que a gente fizesse em conjunto essa conversa para ter valores mais próximos da realidade, dada a disposição dos diferentes participantes de investir, em que proporção, em que prazo e de que forma", explicou. "O presidente achou que era mais correto do ponto de vista de transformar isso num esforço do País se abríssemos um processo negocial com sociedade."
Da mesma forma, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, destacou que a questão climática precisa ter o envolvimento de todas as áreas do próprio governo, inclusive a econômica. Ele lembrou que o Ministério da Fazenda já deu um sinal positivo neste sentido, com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os artigos de maior eficiência energética da linha branca. "Não é apenas com financiamento que conseguiremos colocar em prática a proposta apresentada hoje, mas também com medidas de redução fiscal", afirmou. Ele não descartou a possibilidade de onerar alguns segmentos para induzir à prática de medidas "mais verdes".
Dilma citou que o Banco Mundial (Bird) e a União Europeia (UE) já se mostraram dispostos a financiar esse tipo de ação, respectivamente US$ 400 bilhões e 100 bilhões de euros. "Haverá financiamento dos órgãos internacionais aos países que se dispuserem a adotar essas medidas de redução de gases causadores de efeito estufa. Como nós estamos claramente elencando e qualificando as medidas, achamos que estaremos também bastante qualificados para receber esses recursos", afirmou
Questionada, Dilma disse que o governo já financia a maior parte das ações que foram apresentadas hoje de forma a cumprir o objetivo de reduzir as emissões por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF), principalmente na área de infraestrutura e no crédito direcionado ao setor agrícola. "Grande parte disso temos recursos próprios para fazer, outra parte não. Vamos abrir esse processo de discussão, que é um processo negocial, para que todas partes que possam estar envolvidas se disponham a ter empenho também, e empenho não significa só participar, mas que todos nós juntos vamos colocar recursos. Isso, como eu disse não pode ser só iniciativa do governo. Podemos até chegar a conclusão que uma parte substantiva é do governo, mas outra parte não, não é só governo", ressaltou.
"Quanto maior for nosso acesso a linhas internacionais, mais faremos. Quanto menos, vamos reduzir nossas possibilidades", destacou. Ela reafirmou, porém, que o compromisso brasileiro é significativo, e que somente a meta brasileira para reduzir o desmatamento na Amazônia em 80% até 2020 equivale a todo o esforço que o governo norte-americano fará para que as emissões em 2020 possam voltar aos níveis de 1990. "Um volume maior, para além da nossa capacidade, permitirá que a gente faça mais coisas. Hoje o Brasil tem capacidade para cumprir algumas dessas ações de forma tranquila. O Brasil conta com seus recursos", afirmou.
A ministra disse ainda que o 93% da frota brasileira é hoje composta por veículos que rodam com biocombustíveis. Na avaliação dela, o uso do etanol é ambientalmente mais correto que o carro elétrico que tem sido utilizado na China, que, nas palavras da ministra, tem sido "cantando em prosa e verso como sendo exemplo de ação ambientalmente correta. "É bom olhar de onde vem a energia que abastece esse carro elétrico", disse, citando que a matriz energética chinesa é fundamentalmente composta por combustíveis fósseis. "É uma falta de autoestima nossa", disse. "Não quero diminuir a China também. Acho que o esforço chinês é significativo, mas está na faixa dos 16% ou 17% (de redução de emissões), por aí, não está muito além disso."

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