Dilma e Serra trocam farpas em debate sobre crise

SÃO BERNARDO DO CAMPO (Reuters) - Faltando um ano para as eleições presidenciais, a ministra-chefa da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), dois potenciais candidatos em 2010, se enfrentaram nesta quarta-feira com ataques mútuos durante seminário sobre a crise financeira mundial. Para uma plateia formada por sindicalistas, empresários e funcionários públicos em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, Dilma atacou o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e elogiou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

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Serra, por sua vez, defendeu a gestão de FHC, destacou realizações do governo estadual no ABC paulista e, vez por outra, interrompia a fala e perguntava: "Viu Dilma?"

"O governo é parte da solução para a crise, tem política monetária e mecanismos fiscais para isso", disse Dilma no debate intitulado "ABC do Diálogo e do Desenvolvimento", promovido pelas prefeituras da região.

"Rompemos um círculo vicioso que tornava os governos sem poder de ação na crise", acrescentou a ministra, numa crítica ao governo FHC, do qual Serra foi ministro da Saúde e do Planejamento.

Dilma argumentou ainda que o receituário do Fundo Monetário Internacional (FMI), instituição que socorreu o país durante o governo FHC, impediu investimentos em intraestrutura, saneamento e em programas sociais, e apresentou o PAC, principal plano de investimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como contraposição.

A taxa básica de juros, classificada na véspera pelo governador paulista como "estratosférica", não ficou de fora da fala da ministra. Ela discursou antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que reduziu a taxa em 1,5 ponto percentual, para 11,25 por cento ao ano na noite desta quarta-feira.

"Há perfeitamente espaço para a queda dos juros, porque o cenário externo permite", disse, ao mesmo tempo em que atacou mais uma vez o governo anterior. "Depois do Plano Real, tivermos um dos juros mais elevados do mundo. Agora temos a oportunidade de juros civilizados, sem ameaçar a estabilidade econômica."

Serra, que falou depois de Dilma, criticou a condução da economia pelo governo federal.

"Estamos com seis meses de crise sem uma política de redução de juros", cutucou. O governador atacou ainda o câmbio, que, segundo ele, esteve supervalorizado. "Uma loucura", classificou.

Ele também disse que o Bolsa Família cria mercado interno, mas não é a solução para todos os problemas, depois de a ministra ter tecido elogios ao programa de distribuição de renda.

Serra ainda defendeu o governo FHC indiretamente ao elogiar o Proer, programa de saneamento de instituições financeiras, e a solidez dos bancos públicos.

O governador, no entanto, criticou algumas medidas adotadas pelo ex-presidente, como um acordo automotivo com a Argentina fechado na gestão tucana, mas não perdeu a contundência ao atacar o governo atual por não reverter tais medidas.

"Não foi o governo atual que fez, mas manteve", afirmou.

Tanto Dilma quanto Serra bateram papo durante os discursos um do outro com outros integrantes da mesa de debate, como Luiz Marinho, prefeito petista de São Bernardo; Aloysio Nunes Ferreira, secretário estadual, e Nelson Barbosa, secretário do Ministério da Fazenda.

(Reportagem de Carmen Munari)

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