A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, atribuiu à crise financeira mundial a queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e minimizou os efeitos políticos desse recuo. Não achamos problemático ou nos preocupamos mais do que devemos com isso.

Até porque, sem sombra de dúvida, há uma avaliação bastante positiva do governo", afirmou a ministra, na chegada ao encontro promovido, no Rio, pelo grupo petista "Mensagem ao Partido", criado em 2007 com o objetivo de devolver ao PT a credibilidade abalada depois do escândalo do mensalão. Dilma foi recebida no evento como presidenciável.

Sob aplausos e gritos de "Olê, olá, Dilma, Dilma", a ministra teve sua candidatura defendida pelos ministros Tarso Genro, da Justiça; Carlos Minc, do Meio Ambiente; e Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário. Ela centrou seu discurso nos esforços do governo para vencer a crise financeira e garantiu a continuidade da queda dos juros. "Temos hoje condições de reduzir os juros de forma significativa sem comprometer a estabilidade do País e nós vamos fazê-lo", declarou Dilma, antecipando-se a decisões monetárias do Banco Central.

Citada por Tarso Genro como "o nome que pode dar continuidade aos projetos que vêm sendo desenvolvidos pelo PT desde 2003", Dilma, que no início do mês admitiu ver com "simpatia" a indicação de sua candidatura, comportou-se mesmo foi como presidenciável. Mas não quis vincular uma futura campanha às pesquisas de popularidade do presidente Lula, preferindo ligar o assunto à crise econômica. "Vimos o resultado (das pesquisas)com muita naturalidade. Acho que as pesquisas sempre refletem estas variações. Não estamos preocupados com esta questão. A preocupação hoje do governo é enfrentar a crise", afirmou.

Em uma bancada formada por deputados, prefeitos e líderes do PT, o nome de Dilma para a presidência foi por diversas vezes comparado aos das presidentes do Chile, Michelle Bachelet, e da Argentina, Cristina Kirchner. A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, primeira mulher do PT a ocupar a administração de um Estado, defendeu que "agora é hora do partido colocar uma mulher também na presidência".

Perguntada sobre as discussões dentro do PT em relação à sua possível candidatura para as próximas eleições, Dilma disse que esta é uma questão que não é prioridade dentro do partido. "Esta é uma discussão para 2010", desconversou.

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