BRASÍLIA (Reuters) - Dilma Rousseff (PT) deixa a Casa Civil nesta quarta-feira para se dedicar exclusivamente à campanha eleitoral à Presidência da República. Aclamada pré-candidata do PT, em congresso do partido em fevereiro, Dilma esteve no primeiro escalão desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi responsável inclusive por coordenar a equipe de transição na área de infraestrutura.

Escalada para Minas e Energia em 2003, permaneceu à frente do ministério até junho de 2005, quando assumiu a Casa Civil.

Braço direito do presidente Lula, Dilma reorganizou o setor elétrico, coordenou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o marco regulatório do pré-sal e o projeto social "Minha Casa Minha Vida".

Escolha pessoal do presidente Lula, Dilma foi lançada à sua sucessão.

VIDA PÚBLICA

Natural de Belo Horizonte, Dilma, de 62 anos, é economista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

(UFRGS).

Foi secretária de Fazenda da prefeitura de Porto Alegre (1986-1988), na gestão de Alceu Collares; e por duas vezes secretária estadual de Energia, Minas e Comunicações do Rio Grande do Sul, nas gestões estaduais de Collares (1993-1994) e do petista Olívio Dutra (1999-2002).

ATUAÇÃO POLÍTICA

Dilma iniciou sua militância política aos 16 anos, em 1964, em Belo Horizonte, como simpatizante da organização de esquerda conhecida como Política Operária (Polop), na luta contra a ditadura. Com a divisão da organização em duas linhas, em 1967, Dilma fez parte da frente a favor de ações armadas, o Comando de Libertação Nacional (Colina).

Já pela Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), em 1970, Dilma foi presa e torturada pelo regime ditatorial, em São Paulo.

Após mudar-se para Porto Alegre, em 1973, passou a fazer campanha em favor do então MDB, partido de oposição ao regime militar.

Em 1980, ajudou a fundar o PDT, legenda à qual permaneceu filiada até 2001, quando passou a integrar os quadros do PT.

DIAGNÓSTICO DE CÂNCER

Em abril de 2009, foi diagnosticada com linfoma, um tipo de câncer, após uma avaliação de rotina. Dilma foi submetida à retirada de um tumor em um gânglio da axila esquerda. O anúncio da doença levantou especulações sobre seu projeto de candidatura à Presidência. Segundo avaliaram os médicos à época, a detecção do câncer em estágio inicial foi um fator positivo. Em setembro, a equipe médica responsável pelo tratamento de Dilma anunciou que a ministra estava "livre de qualquer evidência de linfoma". Durante o tratamento, Dilma pouco alterou o ritmo de trabalho.

(Reportagem de Bruno Peres)

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