Dilma diz que terá prazer em ir ao Senado, mas só para discutir o PAC

BRASÍLIA - A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), convocada pela Comissão de Infra-estrutura do Senado para discutir obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), disse que aceita com prazer a convocação e já entrou em contato a secretaria da comissão para agendar uma data para seu depoimento.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

Em ofício encaminhado hoje, a ministra diz que terá "grande prazer em comparecer a essa conceituada comissão do Senado Federal" para trará de assuntos relativos ao PAC.

Na verdade, a convocação de Dilma faz parte da tática usada pela oposição da CPMI dos cartões corporativos. Sem conseguir convocar a ministra para responder às acusações de ter montado o dossiê com gastos do ex-presidente FHC, tucanos e Democratas manobraram na Comissão de Infra-estrutura e, num vacilo do governo, conseguiram aprovar o requerimento de convocação no dia três deste mês.

Na data, membros do governo esvaziaram todas as comissões, justamente devido a rumores de que a oposição tentaria aprovar tal requerimento. Mas nem todos os governistas foram avisados e na comissão de Infra-estrutura foi possível atingir o quorum.

O presidente da comissão, senador Marconi Perillo (PSDB-GO), se apresou a colocar o requerimento em votação. Num deles constava que a ministra seria convocada para falar sobre o dossiê contra FHC.

Minutos após a aprovação do requerimento, membros da base governista invadiram a comissão e conseguiram retirar o da convocação o trecho que falava sobre o dossiê, permanecendo apenas os assuntos relativos ao PAC.

Mesmo assim, após o término da sessão da comissão, integrantes da oposição vibravam. Isso porque, quando Dilma chegar ao senado, será impossível impedir que senadores da oposição a questionem sobre o dossiê.

O presidente da comissão, Perillo, foi o primeiro a comentar o assunto. Ele alegou que não vai censurar nenhum senador, e brincou, dizendo que não haverá como impedir que o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), conhecido pela sua intransigência na defesa da oposição, não monte um circo sobre o dossiê.

Sabendo que de nada interessa à oposição que Dilma fale sobre o PAC, membros da base governista já montaram um gabinete de crise para tratar da convocação. Eles serão os responsáveis por fazer perguntas relativas ao PAC e por censurar oposicionistas que tentarem questionar a ministra sobre o dossiê.

A orientação dada pelo governo é que Dilma, com muita calma, alegará que não vai falar sobre o dossiê quando for questionada, dizendo que foi convocada para discutir o PAC. Enquanto isso, governistas prometem se exaltar, se preciso, na defesa da ministra.

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