Dilma diz que detalhes do suposto dossiê desmentem chantagem do governo

BRASÍLIA - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, declarou nesta sexta-feira, 4, que detalhes do suposto dossiê divulgado pela Folha de S.Paulo desmentem a versão de que o Palácio do Planalto montou o relatório para chantagear o PSDB. Segundo Dilma, que já pediu a auditoria sobre o banco de dados da Casa Civil sobre informações de despesas da Presidência desde 1998, a maior parte dos dados do dossiê nunca foram confidenciais e, ainda, há uma coluna de ¿observações¿ que não existe nas planilhas governamentais.

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |


Para embasar suas afirmações, a ministra-chefe da Casa Civil mostrou as planilhas publicadas pela "Folha de S.Paulo" e apontou que lá constam comentários sobre gastos não incluídos nos dados dos computadores do Palácio do Planalto. Os comentários, destacados em letras maiúsculas quando as despesas parecem supérfluas ou irregulares, são citadas pela oposição como uma evidência da montagem por pessoas interessadas em usar os dados politicamente. 

Estou afirmando que todos os elementos que obtive hoje mostram que a coluna de observações não existe na nossa base de dados, disse Dilma Rousseff, demonstrando indignação com o que chamou de escandalização do nada. Segundo a ministra, das cinco personalidades do governo tucano citadas no suposto dossiê, apenas informações sobre a ex-primeira-dama, Dona Ruth Cardoso, são sigilosas. 

A informação da Dona Ruth é sigilosa e tem que ser preservada, por isso que é crime. Dessas cinco pastas abertas, (...) informação nenhuma de ministro é sigilosa. Essas pseudo-informações não são nada confidenciais, (...)  não há nenhum respaldo para sigilo dessas informações, o governo não tem menor interesse de vazá-las ou fazer suposto dossiê para chantagear. Vamos intimidar com o quê? Com o que é público e notório?, questionou. 

Invasão

A ministra-chefe da Casa Civil reconheceu que técnicos já constataram dados da matéria da Folha compatíveis com as do banco de dados do Planalto, mas outras não são reconhecidas. Ela disse que já foi pedida uma auditoria ao Instituto de Tecnologia da Informação (ITI) ¿ órgão vinculado à Casa Civil que audita dados delicados como o de bancos e de cartões de crédito ¿ para analisar se houve invasão dos computadores remotamente ou se ocorreu um vazamento por algum servidor público. 

Perguntei isso de forma exaustiva [a técnicos] e me foi respondido que em 90% casos o vazamento não é por invasão, mas por alguém de dentro que tem acesso. Não estamos com nenhum prejulgamento, (...) passamos a ficar abertos a qualquer hipótese, observou, acrescentando que separamos os computadores e vamos analisá-los, são cinco. 

Sobre a possibilidade de uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre o uso de dados do Planalto, anteriormente descartada pela cúpula do governo, Dilma Rousseff anunciou estar esperando uma sinalização do ministro da Justiça, Tarso Genro (à qual a PF é subordinada), para avaliar tal possibilidade. 

Diferenças

A ministra abordou mais aspectos pelos quais, segundo ela, ruiu por terra a versão de que a Casa Civil fez um dossiê para chantagem. Um deles é a diferença entre um fax que recebeu da Folha de S.Paulo, com a reprodução da imagem do computador com a planilha do suposto dossiê, e a versão publicada pelo jornal nesta sexta.

Ao expor a folha de rosto de um computador da Casa Civil, foi entregue para nós ontem (quinta-feira) este fac-símile (fax), que tem a parte do horário rasurado. O interessante é que este mesmo fac-símile, ao ser publicado, não estava rasurado a parte horário estava apagada, comparou Dilma, com ambas as versões impressas em suas mãos.

Isso demonstra, acrescentou, que a planilha ou arquivos de computação podem ser facilmente manipulados. Outro ponto estranho para a ministra é, na hipótese de vazamento, o fato de um servidor ter se exposto tanto para cometer o crime.

Com a publicação dessa página, mesmo ela podendo ser falsificada há uma possibilidade de um computador da Casa Civil, um bem público, ter sido invadido. Mas é muito estranho, parece aquela história de agente secreto com crachá, é um agente secreto que era tão óbvio que usava crachá. É estranho alguém fazer um dossiê na Casa Civil e tirar esse retrato, como se tivesse uma assinatura, analisou.

Pessoal

Questionada quantos funcionários da Casa Civil têm acesso ao banco de dados sobre cartões corporativos e contas tipo B e quantos seriam suspeitos, Dilma Rousseff preferiu não adiantar para não atrapalhar as apurações.

São vários funcionários, descomversou. Depois, respondendo uma pergunta de como era a hierraquia de acesso a esses dados e sobre falhas na segurança, ela reconheceu a necessidade de aprimoraro controle mas alegou que dados sobre despesas só viraram glo complicado politicamente nas últimas semanas, devido ao embate político entre governo e oposição.

Tradicionalmente o suprimento de fundos (atividade de controle de gastos) na Casa Civil é uma atividade trivial. Ninguém nunca tratou de forma a transformar num escândalo o suprimento de fundos, a partir determinado momento é que começou a se modificar a prática, alegou.

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