A ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse nesta quarta-feira que compartilha integralmente da posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou, um dia antes, a greve de fome de dissidentes do regime cubano. Compartilho da posição do presidente Lula não só sobre Cuba, mas sobre toda a política externa, afirmou.

Em entrevista à agência de notícias Associated Press, Lula pediu respeito às determinações da Justiça cubana nos casos relacionados à detenção de opositores e comparou os presos políticos da ilha a criminosos comuns. As declarações foram feitas no dia em que um grupo de dissidentes do regime comunista pediu a Lula que interceda pela libertação de 20 presos políticos.

A declaração provocou críticas de opositores e entidades como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

"Não somos submissos e não estamos com um pires na mão pedindo US$ 14 bilhões de empréstimo ao FMI (Fundo Monetário Internacional), mas estamos emprestando", provocou Dilma.

Pressionada por jornalistas para detalhar o comentário, Dilma disse que não tirariam dela uma reprovação a Lula e criticou, sem citar nomes, os Estados Unidos por não terem recorrido ao diálogo, mas à guerra, nos conflitos no Iraque e no Afeganistão.

"Não somos aqueles que vão invadir países. Sou completamente favorável ao que diz e faz o presidente Lula, que nos deu orgulho de sermos brasileiros. Nós não somos agressivos", ressaltou a ministra. "O presidente Lula tem grande respeito por Cuba e é contra a segregação de pessoas."

A ministra citou ainda, como exemplo de boa mediação de conflitos internacionais, as negociações do governo federal com a Bolívia sobre a ameaça de reajuste do gás natural vendido ao Brasil. "Com o Evo Morales, (as negociações) fluíram porque tivemos uma posição firme e diálogo", explicou Dilma, que participa da assinatura do edital para concorrência da Transpetro para a construção de 20 comboios para o escoamento de etanol pela hidrovia Tietê-Paraná.

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