Petista diz que moradia em área de risco virou a regra e não a exceção no Brasil

Ao falar pela primeira vez sobre as fortes chuvas que atingem o Sudeste do País, a presidenta Dilma Rousseff culpou o "desleixo" no tratamento dado por governantes à população de baixa renda. Embora não tenha citado diretamente o governo do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, Dilma empenhou-se em deixar claro que a afirmação não se referia ao antecessor Luiz Inácio Lula da Silva , nem ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), que integra a base de apoio ao seu governo.

"Houve no Brasil um absoluto desleixo em relação à população de baixa renda, que como não tinha onde morar foi morar em fundo de vale, beira de rio, beira de córrego e encosta de morro", afirmou Dilma, em sua primeira entrevista coletiva desde que tomou posse, no dia 1º de janeiro. "Moradia em área de risco é a regra, não a exceção", completou.

Voltando-se a Cabral, a presidenta disse que teria sido fundamental assegurar bons programas de moradia e saneamento. "E aí vou defender o presidente Lula e nós, Serginho, pois nós fizemos uma parceria. Fizemos o PAC em parceria com governos estaduais e prefeituras", disse Dilma, em referência ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das principais bandeiras de sua campanha presidencial.

Dilma Rousseff visita às áreas atingidas pelas chuvas no estado do Rio de Janeiro
Roberto Stuckert Filho
Dilma Rousseff visita às áreas atingidas pelas chuvas no estado do Rio de Janeiro
As declarações foram dadas diante de questionamentos sobre a escassez de investimentos na prevenção de enchentes, depois de o País assistir há um ano a uma situação semelhante em Angra dos Reis. Em resposta à mesma pergunta, Cabral empenhou-se em contestar a versão de que teria havido negligência dos governos estadual e federal diante do problema. "Nós tivemos solidariedade e apoio do governo federal", reagiu Cabral.

Dilma prometeu dar todo o apoio necessário ao Rio e a outros Estados prejudicados pela chuva, a exemplo de São Paulo. Disse que o momento é de resgatar as vítimas da chuva e reconstruir as áreas devastadas pela água. "Vamos fazer com que a reconstrução seja também um momento de prevenção", afirmou Dilma, prometendo colocar toda a estrutura do governo federal à disposição do Estado do Rio. "Agora temos de resgatar as pessoas, temos de reestruturar as condições de vida nas regiões atingidas", completou a presidenta, prometendo remédios e tratamento médico nessas regiões.

Dilma empenhou-se em fazer uma defesa enfática dos programas sociais do governo Lula - além do PAC, a petista fez várias referências ao PAC 2 e ao plano habitacional MInha Casa Minha Vida. Além disso, exaltou as ações do governo para amenizar o impacto das chuvas, como a liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para as famílias atingidas. Além disso, a presidenta prometeu agilizar a liberação de recursos do Bolsa Família, bandeira social do governo .

Questionada, Dilma descartou a utilização das Forças Armadas nos trabalhos de reconstrução das áreas atingidas. Disse que esse papel cabe às empresas privadas que serão contratadas para encaminhar as obras emergenciais. Por fim, mandou um recado às famílias das vítimas. "Envio a eles minha total solidariedade".

Tragédia

O número de vítimas no Rio ultrapassou a marca de 400 no meio da tarde. Entre os mortos, estão familiares do economista Erik Conolly, diretor da holding do Icatu. Em Teresópolis, uma das cidades mais atingidas na Região Serrana, mais de 600 pessoas estão em abrigos, sendo pelo menos 300 em um ginásio, segundo a Defesa Civil municipal.

Com casas destruídas e sem ter para onde ir, famílias interias buscam abrigo em ginário de Teresópolis Segundo balando da Defesa Civil, há pelo menos 13 mil desabrigados (aqueles que perderam tudo e necessitam de abrigos públicos) ou desalojados (aqueles que podem contar com a ajuda de vizinhos e familiares). Em Petrópolis há 3.600 desalojados e outros 2.800 desabrigados. Em Teresópolis a Defesa Civil contabiliza 960 desalojados e 1.280 desabrigados. Em Nova Friburgo, ficaram desalojados 3.220 pessoas e, 1.970, desabrigadas.

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