Diferença entre salários de ricos e pobres diminui, diz Ipea

BRASÍLIA (Reuters) - A desigualdade dos rendimentos entre os brasileiros empregados diminuiu desde 2002, mostrou na segunda-feira um estudo do governo. Entre o último trimestre de 2002 e o primeiro trimestre de 2008, a distância entre os maiores e os menores salários caiu quase 7 por cento, afirmou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao governo.

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O índice Gini, um padrão internacional usado para medir as desigualdades, diminuiu entre as pessoas empregadas para 0,505 neste ano (era de 0,54 em 2002), revelou o estudo do Ipea.

Quanto mais perto do zero o índice, mas próximo da igualdade estará a distribuição de renda.

'Vivemos a perspectiva de termos um país menos injusto, agora, é necessário certamente um conjunto de outras políticas que permitam fazer com que o salário aumente sua participação na renda nacional', afirmou a jornalistas o presidente do Ipea, Márcio Pochmann.

'Certamente isso pode ser alcançado por intermédio de políticas tributárias que terminem por fazer com que os impostos sejam mais progressivos. Que os pobres paguem menos impostos em relação aos que detêm maior renda', acrescentou.

Um aumento no número de programas sociais e uma aceleração do crescimento econômico fizeram aumentar mais rapidamente os menores salários e a reduzir a desigualdade nesse quesito, afirmou Pochmann.

Esses dados (baseados em informações oficiais sobre o mercado de trabalho), no entanto, excluem a principal fonte de renda dos mais ricos, tais como ganhos de capital e a renda auferida com imóveis. Essas fontes de renda aumentaram mais rapidamente durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mostrou o estudo.

Os salários responderam por 39,1 por cento do Produto Nacional Bruto (PNB) em 2007, uma queda em relação aos 39,8 por cento de 2002.

Na maior parte dos países industrializados, os salários respondem por mais de dois terços do PNB, disse Pochmann.

'Isso representa um problema para todos os países. Essas pesquisas não incluem os ricos', afirmou o presidente do Ipea.

Países escandinavos possuem índices Gini de cerca de 0,25, ao passo que a maior parte dos países europeus fica por volta de 0,35.

Lula aumentou o salário mínimo para além da inflação e ampliou os programas de complementação de renda para os mais pobres desde que tomou posse, em janeiro de 2003.

O salário inicial dos 10 por cento que mais ganham ficou em uma média de 4.853 reais em 2007, ou 23,5 vezes mais que o salário dos 10 por cento que menos ganham.

Em 2003, os mais ricos ganharam 27,3 por cento mais que os mais pobres. A economia vem crescendo acima dos 5 por cento anuais, e o Brasil encontra-se em um de seus períodos de expansão econômica mais vigorosa em décadas.

O estudo baseou-se em dados do mercado de trabalho de seis regiões metropolitanas, que juntas respondem por 25 por cento dos 180 milhões de habitantes do país e 37 por cento de seu Produto Interno Bruto (PIB).

O Ipea passou a ser controlado diretamente pela Presidência depois de, no início do governo Lula, contradizer as previsões oficiais de crescimento.

(Reportagem de Raymond Colitt)

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