Diálogo pode prevenir o alcoolismo, aponta estudo

Com apenas uma sessão, especialistas aconselharam pacientes que estavam sob o risco de desenvolver alcoolismo

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O diálogo pode prevenir o alcoolismo. Uma simples conversa entre profissionais de saúde e pacientes com comportamento de risco em relação ao álcool foi capaz de reduzir em 72% os quadros de dependência ligados à bebida, de acordo com um estudo divulgado ontem pelo Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A pesquisa foi realizada com 4.335 pacientes que deram entrada nos serviços públicos das Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Programas de Saúde da Família (PSF). Desses, 208 foram classificados pela Unifesp com potencial para o desenvolvimento de dependência química.

Em comum, os pacientes foram diagnosticados com alguns problemas físicos ou sociais relacionados ao abuso de bebidas alcoólicas. Coordenadora da pesquisa e docente da Unifesp, a biomédica Maria Lucia Souza Formigoni ressalta que o resultado foi observado em pacientes que ainda não tinham diagnóstico de dependência química.

Por meio de uma única conversa (sessão), denominada ‘intervenção breve’, os profissionais faziam o aconselhamento de pacientes que estavam sob o risco de desenvolver alcoolismo.

“Buscamos entender as razões que o levaram a beber, para depois orientar o paciente”, conta Maria Lucia. “É uma ajuda para a ‘ficha cair’. Nosso objetivo é que o paciente entenda os problemas que esse consumo abusivo pode trazer”, completa.

Medicamentos não foram usados na intervenção - um dos fatores que tornam a prática bastante atraente para o serviço público de saúde. “Uma internação é quase sempre mais cara que intervenções”, compara a vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas, Ilana Pinsky.

Outra facilidade sinalizada pela técnica é que o diálogo com o paciente não precisa ser conduzido necessariamente por um médico. Qualquer profissional, mediante treinamento, pode aplicar os princípios da intervenção breve - um enfermeiro, por exemplo.

No entanto, a técnica não é aconselhada para todos os casos relacionados ao consumo de álcool, alerta a psiquiatra da Unidade de Dependência Química do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Camila Magalhães Silveira. "É eficaz para reduzir o risco pesado do uso do álcool. Não serve para pacientes que já têm um quadro de dependência”, diz. As informações são do Jornal da Tarde.

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