Diálogo e preparo evitariam casos como o de Eloá, diz ministra

BRASÍLIA - A necessidade de diálogo e preparo no enfrentamento da violência contra mulher foi destacada nesta sexta-feira pela ministra da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire. Sinal da falta destes elementos seria o caso da adolescente Eloá Cristina Pimentel, assassinada pelo ex-namorado Lindemberg Alves após ser mantida por mais de 100 horas em cárcere privado.

Sarah Barros, Último Segundo/Santafé Idéias |

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"Não era um sequestro comum. Se houvesse mais diálogo na sociedade e preparo para reconhecer que se tratava de uma questão de gênero, o desfecho poderia ter sido outro", avaliou.

A ministra informou que a Central de Atendimento à Mulher, mantida pela secretaria, recebeu entre janeiro e setembro deste ano 134 denúncias sobre mulheres mantidas em cárcere privado. Os casos envolvem ação de parceiros contra suas companheiras.

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Amigas Eloá e Nayara/ Arquivo pessoal

As amigas Eloá e Nayara/ Arquivo pessoal

"Na cultura machista, Lindemberg não aceitou que Eloá escolhesse deixá-lo e não quisesse ser escolhida. Então, ele decidiu matá-la. [...] É preciso desconstruir este pensamento machista", completou Nilcéa.

Visando envolver os homens no enfrentamento da violência contra a mulher, a secretaria lançou, nesta sexta-feira, a campanha "Homens Unidos pelo Fim da Violência contra as Mulheres". O objetivo é recolher 90 milhões de assinaturas por meio do site www.homenspelofimdaviolencia.com.br .

Durante o evento, a representante do Fundo das Nações Unidas para Populações, Alanna Armitage, repudiou o posicionamento que favorecem agressões e assassinatos como crimes passionais. Ela citou ainda um vídeo usado em campanha no Chile, no qual uma briga de casal em um bar não é apartada pelos presentes.

"Se fosse uma criança, certamente alguém iria interferir", comparou.

Campanha

A secretaria pretende divulgar o site da campanha nas páginas virtuais das redes e parceiros da ação para o recolhimento das assinaturas até o próximo mês de dezembro.

Já assinaram o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Congresso Nacional, senador Garibaldi Alves Filho, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, e o ex-jogador de futebol, Raí.

De acordo com a representante do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), Ana Falu, presente ao lançamento, o Brasil é o primeiro a dirigir ação específica para homens.

A campanha atende à convocação do secretário geral das Nações Unidas que pretende envolver governos de todas as nações ligadas ao órgão no combate à violência contra a mulher, disse.

"O alvo é mostrar que a questão da violência contra a mulher não é um problema para ser resolvido entre mulheres. [...] Esperamos que a campanha provoque tanto a mudança de comportamento dos homens quanto a postura deles de modo a não admitir este comportamento violento de outros homens", reforça Nilcéa.

Veja a retrospectiva do caso Eloá

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