Todos os anos, quase metade das cinco mil pessoas que ingressam no Programa Estadual de Aids procura tratamento já em fase avançada da doença, o que coloca em risco o sucesso da terapia anti-retroviral. Além de constatar o índice de 43% de diagnóstico tardio, os pesquisadores do programa identificaram outro problema: a prevalência de homens no grupo que demora a descobrir ser portador do vírus HIV é ainda maior e alcança a marca dos 49,3% dos pacientes, contra 35,7% das mulheres.

A vantagem do sexo feminino no ingresso precoce do tratamento ocorre porque desde 2005 o teste da doença é item obrigatório do pré-natal. “Ainda assim, saber que boa parte das mulheres descobre ser soropositivo só na gravidez é péssimo”, afirma Maria Clara Gianna, coordenadora do programa. “Por isso é necessário estimular a realização de testes comprobatórios do diagnóstico tanto para elas quanto para eles. Já temos oferta suficiente para que ninguém fique com a pulga atrás da orelha.”

Segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura, no ano passado, 89,5% das gestantes soropositivas (487 no total) tiveram o diagnóstico antes ou durante o pré-natal, o que possibilitou o bloqueio da chamada transmissão vertical (de mãe para filho). Ainda assim, segundo o boletim, “existe a necessidade de ampliar o oferecimento da testagem para todas as gestantes, considerando-se que 7% destas tiveram seu diagnóstico durante o parto e 2,5% após o parto”.

É fato que atrelar a realização de testes como procedimento médico para as gestantes foi uma das medidas eficazes para diminuir o número de crianças que já nascem com diagnóstico positivo para a doença. Em 2000, a incidência de recém-nascidos infectados por mães HIV positivo foi de 8%, número reduzido para 1% em 2005, último ano com dados conclusivos.

Resultados

A importância do diagnóstico precoce não se restringe às gestantes. De acordo com infectologistas, quanto mais cedo a doença for identificada, melhores serão os resultados do tratamento com o coquetel. Em São Paulo, o índice de casos de HIV que só são identificados no atestado de óbito é de 5% a 10%.

Pedro Chequer, coordenador no Brasil da Unaids, entidade ligada à Organização Mundial de Saúde, já declarou que “um dos principais desafios da atualidade é diminuir o número de brasileiros que convivem com a doença e não sabem”. Essa população é de 417 mil pessoas no País, apontam estimativas do Ministério da Saúde, e de 50 mil em São Paulo, conforme dados estaduais.

Fernanda Aranda

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