Diagnóstico de câncer em jovens é tardio, indicam dados internacionais

Estudos internacionais apontam que jovens ainda não têm um atendimento adequado, o que levaria a uma demora maior para o diagnóstico dos cânceres em adolescentes, menor adesão ao tratamento e baixas taxas de cura se comparadas às das crianças. Artigo de revisão publicado no ano passado na revista Pediatric, Blood and Cancer , da Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica, alertou para a necessidade de um esforço internacional para entender e atender, ainda nesta década, às necessidades desse grupo de pacientes “esquecidos”.

Agência Estado |

“Foram necessários quase 40 anos para alcançarmos taxas de cura de até 80% para o câncer infantil (...) Para adolescentes e adultos jovens, deveríamos buscar o mesmo objetivo para esta década”, escreveram os autores, Karen Albritton, do Instituto de Câncer Dana-Farber, em Boston (EUA), e Tim Eden, da Universidade de Manchester (Reino Unido). No Brasil, onde o câncer é a doença que mais mata entre 5 e 18 anos de idade, um recorte dos registros do Instituto Nacional de Câncer (Inca), mostra que a mortalidade pelos tumores é maior entre 10 e 18 anos. Eles representam 6,8% das mortes da faixa etária, contra 2,1% entre os menores de 10 anos.

Os motivos para a diferença de mortalidade no País, no entanto, ainda são desconhecidos, explica Sima Ferman, chefe da seção de oncologia pediátrica do Inca. O recorte mostra ainda que, enquanto em geral a leucemia é o que mais mata, entre 10 e 18 anos são outros tipos de tumores que mais causam mortes, como as neoplasias malignas epiteliais e os cânceres ósseos.

“Na realidade, essa é uma faixa etária ainda muito negligenciada”, afirma Sidnei Epelman, presidente da Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (Tucca), entidade que mantém na zona leste de São Paulo, vinculado ao Hospital Santa Marcelina, um ambulatório conveniado ao Sistema Único de Saúde onde 40% dos 200 casos novos anuais é de adolescentes e adultos jovens. “O mundo inteiro discute como e onde tratar esses pacientes.”

No ambulatório, onde também são atendidas crianças, a entidade optou por criar espaços especiais para os adolescentes, improvisou quartos individuais com biombos, reservou um espaço para lan house e também oferece aulas de culinária, em que pais e filhos podem aprender a cozinhar e almoçar juntos. Segundo os estudos feitos fora do País, os dados menos favoráveis para adolescentes estão relacionados não só à carência de serviços como também a características da própria adolescência, como desejo de maior autonomia e o distanciamento dos pais. Além disso, adolescentes com câncer são menos contemplados em estudos clínicos, essenciais para o avanço dos tratamentos.

Fabiane Leite

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