Dia das Crianças, dia de convivência

Dia das Crianças, dia de convivência Por Cecilia Nascimento São Paulo, 09 (AE) - O Dia das Crianças, que será comemorado no Brasil no próximo domingo (12), deve ser uma data de celebração da infância e não uma data apenas para os pequenos serem lembrados como consumidores. Esta é a visão da psicóloga Isabella Henriques, coordenadora geral do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, de São Paulo, que trabalha e defesa do consumo consciente.

Agência Estado |

Em entrevista à reportagem, Isabella deu algumas dicas para os pais fazerem do próximo domingo uma data de convivência em família.

AGÊNCIA ESTADO - No contexto do consumo consciente, que visa a formação de consumidores atentos à preservação da qualidade de vida e do meio ambiente, como as famílias devem comemorar o Dia das Crianças?

ISABELLA HENRIQUES - Em nossa cultura, comemoramos o Dia das Mães e Dia dos Pais como datas de convivência, não apenas como uma ocasião para trocar presentes. No Dia das Mães, por exemplo, é comum as famílias brasileiras se reunirem na casa das mães, das avós. No Dia das Crianças, acredito que deva ser o mesmo. As famílias devem valorizar o contato com a criançada, fazer atividades conjuntas, como ir a parques, cozinhar em equipe, ir ao cinema. O presente deve ser algo secundário. Várias pesquisas aqui e no exterior mostram que as crianças se empolgam com um novo brinquedo por pouco tempo - às vezes até por alguns dias. Mas a experiência de trocar carinho, afeto, atenção, de ser valorizada pela família, esta permanece para a vida inteira.

AE - Como os pais podem convencer as crianças a consumir menos diante do "bombardeio" diário da Mídia, principalmente a TV, para que o Dia das Crianças seja um dia de consumo? Na TV aberta ou a cabo, esta época do ano é recheada de comerciais com lançamentos de fabricantes.

ISABELLA - Não é nada fácil ser pai, mãe, avô ou tia nessa época do ano, mas a mudança pode ser gradual. Os adultos podem ajudar a criança a reconhecer os brinquedos que ela já tem e dar apenas um complemento - por exemplo, uma nova roupa para a boneca já existente - em vez de comprar outra boneca. Ou comprar um pequeno carrinho para complementar a frota que o menino ganhou de Natal em dezembro passado. Dá trabalho, mas significa economia no bolso dos pais e maior consciência de consumo para a criança. Ela aprende a valorizar o que tem, começa a olhar com outros olhos para o que possui, e não apenas tenta renovar seu repertório de brinquedos. Isso ajuda a formar adultos mais conscientes de sua condição de consumo, mais preocupados com a preservação do meio ambiente e com a valorização da convivência em família. Nesse conjunto, a chance de a criança ser um adulto saudável socialmente é bem maior.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG