DI fecha ano com inclinação positiva por atividade forte

SÃO PAULO - O mercado de DI fecha 2009 refletindo, em grande parte, a surpresa dos agentes financeiros com a recuperação da atividade global, em particular a dinâmica doméstica. Em 2010, o ritmo da economia e questões fiscais seguirão no foco dos investidores.

Reuters |

A inclinação negativa da curva futura de juros que marcou o início do ano --período pós-ciclo de aperto monetário e quando se vislumbrava um cenário pessimista para as principais economias do planeta-- foi revertida ainda no segundo trimestre e a inclinação de alta prevaleceu conforme indicadores no exterior e locais frustravam as previsões mais catastróficas.

Houve quem chegasse a apostar em queda de 4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Apesar de não conseguir escapar de um declínio, tais prognósticos não se confirmaram, diante da forte injeção de recursos de que os governos mundiais lançaram mão.

No caso do Brasil, o último relatório Focus aponta declínio de apenas 0,22 por cento cento do PIB neste ano.

"Todo mundo acreditava que a intensidade (da crise) seria maior do que foi. O ano começou com um pessimismo muito grande em relação à atividade global e também brasileira, o que se mostrou exagerado", lembrou Virgilio Castro Cunha, economista para América Latina do BofA Merrill Lynch Global Research, em São Paulo.

"Conforme isso foi ficando claro, os ativos de risco passaram a apresentar uma performance melhor, inicialmente mais associada à eliminação de cenários desastrosos e ao saneamento, mesmo que parcial, do sistema financeiro norte-americano, e posteriormente à percepção de que se tratava de um cenário até construtivo à frente, em especial para o Brasil."

Na curva de DI, o formato do início do ano embutia menos cortes do juro em um primeiro momento, tendo em vista o aumento das projeções de inflação em 12 meses por causa do repasse da disparada do dólar vista no final de 2008 --o que não se confirmou. A partir do segundo trimestre, tal cenário mudou e as taxas passaram a precificar alta da Selic em 2010.

RISCO FISCAL E QUADRO EXTERNO

A surpresa com a atividade e os riscos atrelados a isso, combinados com uma preocupação com a parte fiscal, está entre as justificativas dadas por economistas para a inclinação positiva da parte mais longa da curva, a partir do DI janeiro de 2012. E no quesito fiscal lê-se também as incertezas ligadas ao horizonte político, diante de um ano eleitoral.

O quadro internacional turbulento neste ano desviou o foco dos investidores da cena política, mas a expectativa é de que isso comece a influenciar os negócios conforme o ambiente global se estabilize e o processo eleitoral se aproxime --com os candidatos confirmados e os sinais sobre suas equipes.

Marcelo Portilho, estrategista da CM Capital Markets, em São Paulo, cita que há fatores locais que influenciam a curva de juros e chegam a provocar um descolamento do movimento externo, mas destaca que se tratam de desalinhamentos momentâneos.

"Houve momentos de incertezas, com dados mais fortes e mais fracos, mas com a inclinação baseada na curva externa, que inclinou positivamente com a perspectiva de retomada global, apesar de existirem fenômenos locais que criaram leves descolamentos de curto de prazo", disse.

INFLAÇÃO

O foco em 2010 deve seguir no ritmo da atividade global e no quadro fiscal, e também em uma variável que ficou um pouco de lado em 2009 e tende a ganhar peso: a dinâmica inflacionária.

Cunha, do BofA Merrill Lynch Global Research, notou que, apesar de permanecer ao redor do centro da meta, a inflação caiu em velocidade menor do que boa parte do mercado imaginava e menos do que em outros países emergentes. O economista vê ainda uma incerteza muito grande sobre o impacto da retomada na inflação.

Portilho também citou a inflação mais pressionada como um dos riscos para 2010, mas observou o desempenho interno dentro da dinâmica global.

Nesse contexto, ele avalia que uma diminuição da inclinação positiva deve marcar o próximo ano. "Haverá uma normalização das taxas de juros no mundo. E, mesmo que o Federal Reserve não eleve o juro nos EUA, o mercado pode começar a se antecipar para isso."

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