Dezesseis Estados têm risco muito alto de ter epidemia de dengue

Ministério da Saúde divulgou novo mapa de risco da doença nesta terça-feira. Outros cinco estados possuem risco ¿alto¿

Priscilla Borges, iG Brasília |

Em setembro de 2010, dez Estados estavam no foco das ações do Ministério da Saúde para combater a dengue. Agora, o número subiu para 16. A chegada do verão muda o panorama da doença, segundo o ministério, já que as chuvas favorecem a circulação do mosquito. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou um plano de combate à doença que envolverá diferentes ministérios, Estados e municípios.

Padilha divulgou, nesta terça-feira, o mapa atualizado do risco que os Estados brasileiros têm de desenvolver uma epidemia da doença em 2011. Os cálculos são feitos com base no histórico de casos em anos anteriores, índices de infestação de municípios pelo mosquito Aedes aegypti, incidência atual de casos, sorotipos da doença em circulação, condições de abastecimento de água e coleta de lixo e densidade populacional.

De acordo com esses critérios, 70 municípios entram na lista de prioridades do ministério pelo risco de surto da doença, assim como os Estados do Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Tocantins, Mato Grosso, Espírito Santo e Rio de Janeiro de modo geral. As ações vão se concentrar em campanhas educacionais para reforçar a conscientização da sociedade no combate ao mosquito e na busca por atendimento assim que ocorrerem os primeiros sintomas da doença.

“Fizemos uma atualização em cima do último levantamento, ocorrido em setembro. Alguns estados poderiam sair do estado de alto risco, mas optamos por mantê-los nessa condição para nos antecipar, alertar a sociedade e mobilizar parceiros”, ressaltou o ministro. Na próxima semana, ele promoverá uma reunião com os secretários desses Estados considerados de alto risco. Padilha quer um acompanhamento semanal dos casos da doença e da implantação dos planos de atendimento estaduais e municipais nas redes de saúde, centros, postos e hospitais.

Segundo o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, não se pode dizer que as ações de combate à dengue nos Estados pioraram, apesar dos números. “A primeira vez que o mapa foi desenhado, em setembro, a temporada de epidemia da doença já havia acabado. Só poderemos dizer quais Estados melhoraram ou pioraram quando compararmos com os resultados de janeiro do ano que vem”, afirmou.

O alerta para intensificação das doenças de prevenção à doença se estenderá para outros estados, que também têm chances de ter surtos da doença ao longo do ano. Roraima, Amapá, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul estão com risco considerado “alto” de epidemia. Rondônia, São Paulo, Paraná e Distrito Federal têm risco “moderado”.

No ano passado, quase 1 milhão de brasileiros ttveram dengue no Brasil. Desse total, 15,5 mil casos são considerados graves: pacientes com febre hemorrágica e com manifestações agudas da doença. De acordo com o balanço divulgado pelo ministro, 550 doentes morreram em decorrência da dengue. Os dados dessas primeiras duas semanas do ano ainda não foram fechados. Segundo o ministro, 90% dos casos de óbitos, os pacientes haviam demorado a procurar o serviço de saúde.

Planos entre setores

Padilha se reuniu na manhã desta terça-feira com a presidenta Dilma Rousseff e com representantes de diferentes ministérios que trabalharão juntos no combate à dengue. Para o ministro, as ações precisam da ajuda de diferentes setores para terem eficácia. Cada pasta fará planos de ação, que envolvem, em grande parte, conscientização e prevenção.

Além do repasse anual de recursos do Piso Financeiro de Vigilância e Promoção da Saúde, de R$ 921,6 milhões, e os R$ 25 milhões de portaria que incentiva a integração de agentes de endemias às equipes de saúde dos municípios, as ações de combate à dengue para este verão também serão financiadas por recursos adicionais. Cerca de R$ 60 milhões serão destinados à compra de equipamentos e veículos, inseticidas e larvicidas, medicamentos, kits de diagnóstico e também para o financiamento de campanhas na mídia.

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