SÃO PAULO - Pela primeira vez desde 2003, a tendência da criminalidade é de alta em São Paulo. De 14 indicadores de criminalidade divulgados nesta quinta-feira pela Secretaria de Segurança Pública do Estado, 10 tiveram aumento.

O registro no primeiro trimestre do recorde de roubos da série histórica iniciada em 1995 não é somente um pulso, mas a consolidação de uma perspectiva que se desenhava desde o primeiro trimestre de 2008, quando os delitos pararam de cair no Estado.

O maior crescimento em relação ao primeiro trimestre de 2008 foi o de latrocínios (36,2%) e a maior queda, a de roubos a banco (13,6%).

O diretor da Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) da Secretaria da Segurança Pública, Túlio Kahn, afirmou que vários fatores podem explicar a mudança, entre eles a crise econômica. Ela ajudou a intensificar o aumento da criminalidade, mas não a explica todo o crescimento, disse.

Cada ponto porcentual a mais nos índices de desemprego significa, segundo Kahn, um acréscimo de 5 mil roubos na estatística policial. Outros fatores, como o fim do cumprimento em regime integral fechado para o cumprimento das penas por crimes hediondos e até um caráter cíclico da criminalidade teriam influído na mudança.

Os roubos no primeiro trimestre deste ano alcançaram 65.635 casos, sendo que o recorde anterior pertencia ao 2º trimestre de 2003 (64.282). Embora o índice tenha crescido em todas as regiões do Estado, o aumento foi maior em Presidente Prudente (76,9%), Bauru (59,7%) e Piracicaba (38,5%). O crescimento na capital foi o menor do Estado (12,6%).

Segundo Kahn, excluindo o último trimestre de 2008, quando a greve da Polícia Civil prejudicou o registro de casos, os roubos crescem há três trimestres consecutivos, o que atesta a tendência de alta.

Já os casos de homicídio doloso (quando há intenção de matar) subiram em relação ao 1º trimestre do ano passado. O quarto trimestre de 2008 havia interrompido um ciclo de 29 trimestres seguidos de queda. O aumento foi de 0,7% em todo o Estado em comparação ao mesmo período de 2008.

Nos municípios do interior, o crescimento foi de 11,06%. Na capital, houve uma queda de 6,44%, mas abaixo da expectativa do governo (de mais de 10%).

Foram registrados também 1.050 casos de estupro no Estado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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