Dez pessoas são indiciadas por acidente com Airbus da TAM

SÃO PAULO - Dez pessoas foram indiciadas nesta quarta-feira pelo acidente com o Airbus A 320 da TAM, no dia 17 de julho de 2007, no Aeroporto de Congonhas. Entre os indiciados estão o ex-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi e o ex-presidente da Empresa Brasileira de infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), o brigadeiro José Carlos Pereira.

Redação |

Acordo Ortográfico O delegado titular do 15º Distrito Policial, Antonio Carlos Menezes Barbosa, divulgou a lista com os nomes dos indiciados nesta quarta-feira em uma coletiva de imprensa.

Barbosa apresentou a conclusão do inquérito, no qual os responsáveis pelo acidente responderão por atentando contra a segurança do transporte aéreo e podem pegar, cada um, até 6 anos de detenção.

Entre os indiciados também está a ex-diretora da Anac, Denise Abreu, cuja defesa se manifestou em nota, criticando a decisão da Polícia Civil.  O advogado de Denise, Roberto Podval, disse estar perplexo com o anúncio feito nesta quarta-feira. Para ele, a decisão não deveria ser divulgada para a imprensa antes de ser comunicada aos acusados. Ela disse também que serão tomadas as medidas para evitar essa "injustiça".

A defesa de Denise Abreu ressaltou ainda que as atividades dela na Anac não têm causa alguma com a tragédia. Segundo Podval, o acidente não "teria ocorrido se os manetes do avião estivessem na posição correta.

Os demais indiciados são Luiz Kazumi Miyada, superintendente da Anac; Marcos Tarcísio Marques dos Santos, superintendente operacional da agência; Jorge Luiz Velozo, diretor de Segurança Operacional, Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos; Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Costa; Agnaldo Esteves, funcionário da Anac; Esdras Barros, da Infraero e Abdel Salam Abdel el Salam Rishk, ex-gerente de engenharia de operações da TAM.

A Infraero informou que "não se pronuncia até ter em mãos oficialmente inquérito do caso". A Anac afirmou não ter sido notificada do indiciamento e que "enquanto não receber notificação, não vai se pronunciar". A TAM informou que "não vai se pronunciar até o final das investigações".

Laudo do Instituto de Criminalística

Após 16 meses de investigação, o Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo finalizou nesta semana o laudo sobre a tragédia com o voo 3054 da TAM. No documento, a responsabilidade dos pilotos Kleiber Lima e Henrique Stefanini di Sacco, apontados inicialmente como os maiores responsáveis pelo acidente, tiveram sua responsabilidade relativizada.

O texto diz que não houve quebras ou falhas de equipamentos e sistemas eletrônicos da aeronave, indicando que foi um equívoco no manuseio das manetes que levou o jato a varar a pista do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. No entanto, os peritos mostram que várias informações repassadas durante o vôo entre Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP), como as condições da pista, por exemplo, podem ter influenciado psicologicamente os pilotos.

As conclusões descritas ao longo de quase 700 folhas e 2.500 páginas de anexos focam nas falhas administrativas cometidas principalmente pela cúpula e por altos funcionários da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), além de identificar erros por parte da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), da TAM, dos pilotos do avião e até da fabricante do jato.

O acidente

No dia 17 de julho de 2007, por volta das 18h45, o Airbus A-320, vôo 3054, da TAM, que havia partido de Porto Alegre às 17h16, não conseguiu pousar na pista do Aeroporto de Congonhas.

A aeronave atravessou a Avenida Washington Luís e se chocou com o prédio da TAM Express ao lado de um posto de gasolina, causando uma forte explosão. Todos os passageiros do Airbus morreram, além de alguns funcionários da TAM que estavam no prédio atingido.

Este foi o pior acidente da história do País e deixou, ao todo, 199 mortos, superando o acidente com o Boeing 1907 da Gol, ocorrido em 29 de setembro de 2006 e que deixou 154 vítimas.

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