Dez anos depois, Norambuena ainda é uma ameaça ao Estado

O líder da quadrilha que sequestrou Washington Olivetto está no presídio federal de Campo Grande

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

AE
Líder dos sequestradores, o chileno Maurício Hernandez Norambuena
Passados dez anos do fim do sequestro de Washington Olivetto, o líder da quadrilha, Mauricio Hernandez Norambuena, ainda é considerado uma ameaça ao Estado.

Norambuena é o único criminoso preso em São Paulo que hoje está detido na rede penitenciária federal. Desde 2010 ele está no presídio federal de Campo Grande (MS).

Já estiveram lá Fernandinho Beira-Mar, Juan Carlos Ramirez Abadia e Elias Maluco (assassino de TIm Lopes). O traficante Nem, detido no Rio dia 10 de novembro, foi transferido para Campo Grande nove dias depois.

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Atualmente, a Secretaria da Administração Penitenciária do Estado (SAP) e a defesa de Norambuena travam uma disputa na Justiça do Mato Grosso do Sul quanto ao retorno do sequestrador para São Paulo. A defesa quer o retorno enquanto a secretaria pede a manutenção de Norambuena em Campo Grande.

Segundo a SAP, o motivo da transferência é o fato de Norambuena ter duas condenações à prisão perpétuas No Chile. “Como é sabido, nenhuma Penitenciária do Estado de São Paulo destina-se a receber presos que possuem esse tipo de penalidade”, explicou a secretaria por email.

Autoridades que tiveram contato com o caso dizem em conversas reservadas que existe outro motivo da preocupação das autoridades paulistas, a ligação do sequestrador com facções do crime organizado.

Segundo investigações da Polícia Civil e da própria secretaria, ele dava aula de terrorismo a integrantes do PCC na penitenciária de Presidente Bernardes, em 2006, onde estavam os líderes máximos da facção. Um ano antes a Polícia Federal do Rio de Janeiro descobriu um plano de resgate do sequestrador que envolveria 80 homens do PCC e do Comando vermelho.

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Condenado a duas penas de prisão perpétuas no Chile pelo assassinato de um senador e pelo sequestro do filho de um empresário da mídia chilena, Norambuena era o líder máximo do grupo terrorista de extrema esquerda Frente Patriótica Manoel Rodriguez.

Depois de uma fuga cinematográfica em um helicóptero em 1996 ele teria passado pela Colômbia, onde se alinhou às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), guerrilha esquerdista que se transformou em braço do narcotráfico com fortes ligações com traficantes brasileiros.

No presídio de Presidente Bernardes, ela era tratado pelos líderes do PCC como “irmão”. Em 2006, perdeu o direito a progressão de pena por supostamente agredir um médico penitenciário na cadeia.
“Aguardamos uma decisão sobre a transferência para pedirmos novamente a progressão de pena”, disse o advogado de Norambuena, Jaime Alejandro Motta Salazar, que afirmou desconheces as ligações do chileno com o crime organizado.

Dos seis sequestradores de Olivetto, apenas três continuam presos no Brasil. Martha Ligia Mejia está presa em Campinas (SP) e Alfredo Augusto Canales Moreno em Itaí (SP). Karina Dana Germano Lopez foi extraditada para a Argentina, onde continua presa condenada por crimes violentos.

Marcos Rodolfo Rodrigues Ortega e William Gaona Becerra estão foragidos desde outubro de 2010. Eles foram beneficiados com a liberdade temporária no Dia das Crianças e não voltaram.

Os dois haviam recebido o benefício outras quatro vezes e chegaram a obter na Justiça a progressão para o regime semi-aberto. A estratégia legal deles era conseguir progressões penais.

O Ministério Público recorreu e conseguiu uma liminar proibindo a ida da dupla para o semi aberto. Com isso, Ortega e Becerra também deveriam perder o direito à saída no Dia das Crianças. No entanto, por uma falha de comunicação entre a secretaria e o Tribunal de Justiça de São Paulo, a direção do presídio não foi informada da liminar. Os sequestradores saíram e até hoje constam da lista de procurados da Polícia Civil.

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