SÃO PAULO - Em uma tentativa de por fim à inesperada escala de 16 dias no Brasil, os três turistas franceses retidos em São Paulo desde o último dia 6 de dezembro devido a uma confusão antes da decolagem do voo JJ 8096 São Paulo-Paris da TAM fizeram um apelo às autoridades brasileiras e francesas para que o caso seja resolvido antes das festas de final de ano.

AFP
Michel Ilinskas, Antonio Nascimento e Emilie Camus
Os turistas franceses Michel Ilinskas, Antonio Nascimento e Emilie Camus

Emilie Camus, de 54 anos, responsável pela área de limpeza de um hospital no subúrbio de Paris, descreve a situação pela qual o grupo tem passado como de enorme tristeza. Pediria que Sarkozy e Lula pudessem nos livrar o mais rápido possível para que eu encontrasse minha família e meus filhos em Paris. Era o melhor presente de Natal que poderíamos ter. E, com lágrimas nos olhos, completa: porque nessa época do Natal é quando as famílias se reúnem e seria uma grande alegria. Minha filha que vai ter um filho a qualquer momento.

Desde o último dia 11 de dezembro, Camus convive com mais dois compatriotas que também foram detidos: Michel Ilinskas, 61, e Antonio Nascimento, 63, ambos aposentados. Eles passam os dias na Associação Francesa de Beneficência 14 de Julho, asilo que abriga franceses e brasileiros, localizado na zona sul da capital paulista.

Além de se sentir vítima de um crime que dizem não ter cometido, o trio compartilha a ansiedade em voltar para casa. Porém, terá de esperar até o próximo dia 7 de janeiro, quando já terá completado um mês da data partida do voo 8096 e também termina o recesso do judiciário, para saber se terão os passaportes devolvidos pela Polícia Federal e autorização para embarcar. Segundo o cônsul-geral da França em São Paulo, Sylvain Itte, o juiz plantonista neste final de dezembro não se sentiu apto para analisar o caso.

O dia do embarque

Na noite do dia 6 de dezembro, Camus, Antonio e Ilinskas tentavam embarcar juntamente com um grupo de turistas (onde havia entre 80 e 90 franceses) para a França após um cruzeiro pela costa brasileira. Camus conta que estavam na sala de espera quando foram alertados de que o avião tinha problemas técnicos. Segundo ela, passaram-se mais 15 minutos até que finalmente foram chamados para o embarque. Com três tentativas malsucedidas para levantar voo, falta de informação sobre o que acontecia com a aeronave e avisos em português e inglês não compreendidos pelos franceses a bordo, a maioria dos passageiros começou a se levantar.

Os franceses reclamavam que queriam um anúncio em francês porque não estavam entendendo o que acontecia. Como falava português, me pediram para conversar com o comissário de bordo e pedir se eles poderiam fazer isso. Foi feito. Mas numa pronúncia muito ruim, o que fez com que todos se levantassem novamente dizendo que não queriam ir naquele avião para Paris.

Após nova tentativa frustrada de decolagem, os ânimos no avião teriam se exaltado ainda mais e foi então que a polícia entrou. Camus, segundo relata, foi indagada ou sai ou vai à força. Preferiu a primeira opção.

Antonio lembra que após idas e vindas do avião na pista para tentar decolar, o que mais queria era sair do avião. Disse à comissária que era aniversário de morte do meu pai e que tinha muito medo. Quando a polícia entrou, explica que estava em pé porque um passageiro brasileiro ocupava sua poltrona, a primeira da fila, enquanto dormia. Por também falar português, sugere que estava marcado pelas comissárias, que o apontaram à polícia como um dos supostos causadores do tumulto. Ambos foram para o hotel, logo pela manhã seguinte do dia 7 foram chamados para depor e, então, ficaram detidos.

Michel Ilinskas foi o único preso diretamente no avião. Fazia a tradução do que os comissários diziam para o inglês. Ilinskas conta que não queria descer porque não compreendia o que era dito pelos policiais e, além disso, não sabia para onde seria levado. O vídeo de sua retirada a força  consta no YouTube . Havia quebrado meu braço em setembro e fiquei com medo de machucar novamente com a atitude da polícia, diz.

Prisão

Segundo informações da Polícia Federal, os três franceses foram detidos pelos crimes de atentado à segurança de voo (artigo 261 do Código Penal), resistência (artigo 329) e desobediência (artigo 330). No entanto, eles negam qualquer tipo de ofensa ou agressão contra membros da tripulação e policiais.

Antonio e Ilinskas foram levados para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros. Ao contrário dos funcionários da triagem que jogaram as roupas no chão, Antônio afirma que ele e Ilinskas foram bem tratados pelos demais detentos, cerca de 30 na cela de 35 m2. Você é legal, você é um dos nossos era como eram tratados. E a iniciação no sistema carcerário permitiu ainda a ele notar certas peculiaridades como para obtenção de cobertores. Transmitem ordens de dentro para fora e de fora pra dentro.

Detida na delegacia do aeroporto de Guarulhos, Camus disse ter ouvido de um policial o lado que era inocente e que era inocente e que não sabia por que estava na prisão. No início, esteve com outras três presas e, nos últimos dias, ficou sozinha.

Após cinco dias presos, foram soltos no dia 11 de dezembro após o pagamento de fiança de R$ 1.360. Agora, estão em liberdade provisória, mas proibidos de deixar o País.

Camus explica ainda que, apesar do acontecido, não tem intenção de processar a companhia. "O que me interessa é sair daqui o mais rápido possível", resume.

Leia mais sobre prisão de turistas

    Leia tudo sobre: lula
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.