Desvendado o mecanismo de infecção pela bactéria Escherichia coli

Desvendado o mecanismo de infecção pela bactéria Escherichia coli Por Emílio SantAnna São Paulo, 07 (AE) - Médicos brasileiros ligados ao Hospital das Clínicas (HC), em São Paulo, desvendaram o mecanismo de infecção por uma bactéria sempre encontrada no corpo humano, a Escherichia coli. Utilizando camundongos geneticamente modificados para não apresentarem uma estrutura fundamental para a ação dos anticorpos, os pesquisadores comprovaram que os animais - supostamente mais vulneráveis - conseguiram sobreviver mais à sepse (infecção generalizada) causada por essa bactéria.

Agência Estado |

A conclusão surpreendeu até mesmo os autores do estudo, publicado recentemente na revista "Nature Medicine". A Escherichia coli consegue "enganar" o organismo ligando-se diretamente às células de defesa do corpo humano, impedindo que os anticorpos a capturem. Assim, a bactéria consegue se reproduzir, o que causa a infecção generalizada. A Escherichia coli é uma das bactérias presentes no intestino. Em contato com a corrente sanguínea, porém, pode causar problemas. "As infecções por essa bactéria são extremamente freqüentes e um problema de saúde inquestionável", diz o médico Fabiano Pinheiro da Silva, autor da pesquisa, que se transformou em seu trabalho de doutorado apresentado na USP e Universidade de Paris 7, na França.

Quando o organismo detecta um antígeno (vírus ou bactéria, por exemplo) os anticorpos presentes no sangue e fluidos corporais capturam o invasor e se ligam nas células de defesa para ativá-las para o combate e expulsão do corpo estranho. A chave para esse processo é uma proteína presente na superfície das células de defesa, que faz a ligação com os anticorpos, por isso chamada de receptora. Os animais usados na pesquisa não produzem os receptores de Imunoglobulina G (IgG), do tipo 3, também chamados de receptores de anticorpos CD16 . A imunoglobulina é o anticorpo responsável pela captura da Escherichia coli.

Como os camundongos geneticamente modificados não produzem esse receptor, era de se esperar que não conseguissem combater a bactéria. "Acreditava que esses animais seriam relativamente imunodeficientes e mais suscetíveis à sepse", diz Murilo Chiamolera, um dos orientadores do trabalho. A pesquisa começou há cinco anos no HC, em São Paulo. Contou com o apoio de cientistas holandeses e franceses foi apresentada ao mesmo tempo no Brasil e na França, graças a um convênio da Universidade de São Paulo (USP) com a Universidade de Paris 7. Os cientistas descobriram uma ação de proteção inesperada da Escherichia coli às células de defesa. "A bactéria pode se ligar a esses receptores sem anticorpos, inibindo a ação de proteção do organismo", explica Renato Costa Monteiro Filho, pesquisador do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm), na França, e coordenador do trabalho.

Os pesquisadores trabalham agora no desenvolvimento de uma molécula que iniba o aparecimento desses receptores, o que conseqüentemente fará com que a bactéria perca sua capacidade de se ligar às células de defesa e "enganar" o organismo.

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