Destruição da Amazônia volta a subir após 3 anos

Por Raymond Colitt BRASÍLIA (Reuters) - Dados divulgados na sexta-feira pelo governo federal mostram que a destruição da Amazônia se intensificou pela primeira vez nos últimos quatro anos, acompanhando a alta no preço dos produtos agrícolas, o que estimulou o avanço da agropecuária e a retirada de árvores.

Reuters |

Imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostraram que, nos 12 meses até julho deste ano, foram destruídos 12 mil quilômetros quadrados de floresta.

O valor é superior aos 11.224 quilômetros quadrados devastados no ano passado, mas abaixo o auge de 27.379 quilômetros quadrados em 2004.

Em entrevista coletiva em Brasília, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc se disse insatisfeito com a cifra, mas insistiu que ela seria muito pior sem as políticas do governo contra o desmatamento clandestino.

"Qualquer aumento é ruim, só que a expectativa era de 30 a 40 por cento (de aumento) e conseguimos estabilizar a taxa", disse Minc, no cargo desde maio. "Quando se apreende soja e gado, dói no bolso deles."

O governo federal ampliou a vigilância neste ano, confiscando produtos agropecuários oriundos de áreas desmatadas ilegalmente e cortando o financiamento para propriedades rurais irregulares.

No final do ano passado, o Inpe registrou um aumento na devastação da Amazônia, e em maio a respeitada ministra Marina Silva deixou o cargo após conflitos com a ala desenvolvimentista do governo.

"As cifras de hoje são inaceitáveis, mas a tendência de longo prazo continua positiva, e mostra que é possível fazer algo contra o desmatamento", disse à Reuters Paulo Moutinho, coordenador do Instituto de Pesquisas da Amazônia.

Críticos dizem que falta pessoal e verbas para que o Ibama combata adequadamente o desmatamento, muitas vezes provocado por fazendeiros e madeireiros armados.

No domingo, um grupo saqueou a sede do Ibama em Paragominas (PA), ateou fogo à garagem e usou um trator para arrombar um hotel onde se hospedam funcionários do órgão. A multidão também roubou 12 caminhões com madeira apreendida.

Na opinião de Moutinho, não basta que o governo reprima o desmatamento clandestino.

"Precisamos tornar mais caro cortar uma árvore do que preservá-la", afirmou, propondo que municípios e Estados recebam benefícios fiscais caso cumpram determinadas metas de proteção ambiental e promoção de atividades sustentáveis, como o extrativismo e o turismo.

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