BORDEAUX (Reuters) - Os destroços do Airbus A330, que caiu no Atlântico depois de decolar do Rio de Janeiro no dia 31 de maio, devem chegar de navio, na terça-feira, a Pauillac (na região de Gironda), de onde serão transferidos para o Centro de Testes Aeronáuticos de Toulouse (Ceat, na sigla em francês). A capitania do porto de Pauillac, no estuário da Gironda, anunciou a chegada do navio Ville de Bordeaux.

Trata-se de um dos três navios habitualmente usados pela Airbus para transportar seções de sua aeronave de grande porte A380 entre as fábricas do grupo aeronáutico, antes da montagem das partes nas oficinas de Toulouse.

Oriundos do Recife, no Brasil, os destroços do vôo Air France 447 e os dois contêineres que levam pedaços do A330 devem em seguida ser transportados por barcaça e descarregados em Langon, no sul da Gironda, depois de descerem pelo rio Garonne.

Em seguida, os destroços seguirão até Toulouse por caminhão e serão levados ao Ceat, organismo subordinado ao Ministério da Defesa. É nesses hangares que o Ceat certifica os aviões, realizando testes de desgaste.

Não se sabe a data exata em que será feita a transferência a Toulouse.

"O transporte entre Langon e Toulouse deve ser feito até o fim da semana", disse à Reuters Jacques Rocca, um dos responsáveis de comunicação da Airbus. "Não será necessariamente à noite, como é habitual no caso dos A380."

O conjunto de peças será examinado sob a supervisão do Escritório de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês), que dirige a investigação sobre o acidente do vôo Rio-Paris que deixou 228 mortos.

"Todas as etapas são importantes", destacou o BEA, que divulgou seu primeiro relatório sobre o acidente no início de julho.

A partir de terça-feira, "haverá uma colaboração de conhecimentos entre as diversas partes, o Ceat e o BEA, para fazer avançar a investigação sob a direção do BEA", disse a mesma fonte.

As buscas acústicas pelas caixas pretas do A330 foram encerradas na noite de sexta-feira. Uma segunda fase das buscas deve começar na terça-feira, com outros meios e outros métodos, já que as balizas que permitiriam localizar os gravadores de voo provavelmente já deixaram de emitir sinais.

As buscas serão levadas adiante com um sonar e submarinos robôs enviados a bordo do navio oceanográfico "Pourquoi pás", fretado pelo BEA.

No relatório divulgado para a imprensa em 2 de julho, os investigadores descartaram a tese de uma explosão ou de o avião ter se despedaçado em pleno vôo.

A análise dos 640 destroços do Airbus A330 aponta para a probabilidade de que ele tenha se chocado com a superfície da água em linha de vôo, com forte aceleração vertical.

As três sondas Pitot, usadas para medir a velocidade da aeronave, teriam congelado, fenômeno que teria desencadeado uma sucessão de erros de funcionamento. Para o BEA, porém, trata-se de um elemento que contribuiu para o acidente, e não sua causa principal.

(Por Claude Canellas e Nicholas Ficht)

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