Destaque da inflação, adubo prolongará alta geral de preços--FGV

Por Roberto Samora SÃO PAULO (Reuters) - Mesmo que os agricultores do Brasil tenham dificuldade para repassar na próxima safra o aumento de custo derivado da alta dos fertilizantes, alguma elevação de preço das principais commodities ocorrerá em 2008/09, o que prolongará os efeitos inflacionários no país, avaliou o economista da Fundação Getúlio Vargas, Salomão Quadros.

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Os fertilizantes e os alimentos já registram as principais altas em 12 meses no Índice de Preços por Atacado (IPA) da FGV, com produtos subindo 100 por cento ou mais, e as possibilidades de mudança da trajetória de preços, com a demanda internacional crescente por alimentos, são poucas no curto prazo, avaliam alguns analistas.

'Se não houvesse toda essa pressão de custo, haveria uma produção maior, que possibilitaria uma inversão da trajetória dos preços agrícolas. Com essa alta dos fertilizantes, isso se torna mais difícil ou vai acontecer depois, então funciona como elemento da taxa de inflação', disse Quadros, coordenador de Análises Econômicas da FGV.

Pela procura aquecida por fertilizantes, com agricultores buscando ganhar em produtividade para atender à demanda por alimentos, os preços dos adubos dispararam no mundo todo. E o Brasil, que importa cerca de 70 por cento de suas necessidades, está sofrendo os efeitos dessa alta internacional.

'Temo que o efeito de mais elevação de preços sobre produtos agrícolas ainda está por vir... O agricultor vai ter o fertilizante custando 100 por cento mais, e como o adubo é quase metade do custo em alguns casos, o agricultor vai tentar repassar para não ter perda de margem', acrescentou o economista, referindo-se à geração de uma 'inércia' inflacionária.

Em 12 meses, o IPA registra uma alta de 17,12 por cento. O indicador de preços do setor agropecuário, que integra o índice da FGV, subiu 37,63 por cento no mesmo período, e o industrial 10,62 por cento --o item fertilizante é destaque deste setor com aumento de mais de 90 por cento,

Já o item de produtos alimentícios e bebidas, na esteira dessa pressão inflacionária, subiu 19,94 por cento em 12 meses.

'Não é à toa que você está vendo essa inflação de alimentos, vem da indústria (alimentícia, 19,94 por cento) e no varejo a alimentação está subindo mais ou menos isso também.'

Quadros explicou que no caso dos preços agrícolas o problema é que há uma 'rotatividade muito grande' entre os produtos que causam pressão na inflação.

'Tem um ciclo de pressão causado, por exemplo, por dois ou três produtos. No mês seguinte eles começam a perder força, mas aí você já tem outros produtos que entram igualmente com intensidade igual ou até maior.'

Um exemplo disso é a alta do arroz, que perdeu a força após o pico em maio, ao mesmo tempo em que o feijão, soja e bovinos seguem uma tendência de aumento, observou.

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