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Desocupação de terreno pela PM deixa 3 feridos no PR

A Polícia Militar (PM) do Paraná precisou utilizar bombas de efeito moral e balas de borracha para desocupar hoje uma área particular invadida desde o dia 6 de setembro no bairro Fazendinha, na zona sul de Curitiba. Os policiais foram recebidos com pedras e tijolos.

Agência Estado |

Três pessoas tiveram ferimentos leves, segundo registro da PM, e três foram detidas, duas por porte ilegal de armas e uma por desacato.

De acordo com o Movimento Nacional da União por Moradias Populares, cerca de 1,5 mil famílias viviam no local, que tem 170 mil metros quadrados e pertence à Varuna Empreendimentos Imobiliários, do Grupo Hafil Empreendimentos. A ordem de reintegração de posse foi concedida pela Justiça no dia 15 de setembro. O prazo dado pela para que os manifestantes saíssem pacificamente encerrou-se cinco dias depois.

O coordenador da Central de Movimentos Populares, Luiz Herlain, afirmou que, depois da ordem, enviou ofícios à prefeitura para discutir uma solução pacífica, mas não foi atendido. A assessoria da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab) informou que recebeu apenas um ofício e a resposta ainda estava em análise. "O que houve aqui hoje é uma total falência da administração pública", disse Herlain. "Fracassaram a Justiça, o Legislativo e o Executivo." Segundo ele, a área não cumpre a função social. Ele também acusou a polícia de uso "excessivo" de força.

Desde as 5 horas da manhã os moradores estavam preparados para receber a polícia, fechando algumas ruas com pneus em chamas. Os cerca de 950 homens da PM chegaram junto com o oficial de Justiça. "Fomos conversando e dando prazo para que se retirassem", afirmou o major Antônio Zanatta Neto, da Comunicação Social da PM. Depois de algumas horas, os policiais decidiram agir. "Todos os policiais receberam instruções específicas para a preservação da integridade física e moral de todas as pessoas, sempre em respeito aos direitos humanos", disse o major.

Confronto

O grupo de ocupantes do terreno colocou barreiras humanas, com mulheres e crianças. Houve confronto com pedras e tijolos de um lado e bombas de efeito moral e balas de borracha do outro. Imediatamente as pessoas que impediam a entrada dos policiais dispersaram-se. A ação demorou menos de uma hora. O dono do terreno colocou veículos à disposição das pessoas para levar os pertences aos locais de origem.

Os feridos identificados foram uma criança de 8 anos, que queimou a perna em um dos pneus; uma ocupante do terreno, Zelinda Alves, de 38 anos, que recebeu uma bala de borracha no tornozelo; e o cinegrafista Anderson Leandro da Silva, de uma produtora, atingido por uma bala de borracha no rosto. Ninguém precisou permanecer hospitalizado. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná disse, em nota, que pediria esclarecimentos à Secretaria da Segurança Pública (SSP). No Grupo Hafil, a informação era de que os diretores estão viajando.

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