Desnutrição caiu de 13,5% para 6,8% em dez anos, diz artigo

Artigo publicado na Revista Saúde Pública , no mês passado, indicou que, “em cerca de mais dez anos, a desnutrição infantil poderia deixar de ser um problema de saúde pública no Brasil”. Para isso, basta continuar aumentando a renda dos mais pobres e universalizar educação, saúde e saneamento.

Agência Estado |

Foi o que ocorreu na última década. A prevalência da desnutrição caiu de 13,5% em 1996 para 6,8% em 2006 e 2007.

Segundo o artigo, dois terços da redução devem ser creditados ao aumento da escolaridade das mães (25,7%), da renda (21,7%), do acesso à saúde (11,6%) e à melhora das condições de saneamento (4,3%). Os pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo atribuem essas melhorias à universalização do ensino fundamental nos anos 1990, à distribuição de renda, sobretudo a partir de 2003, e ao Programa Saúde da Família. A queda vem ocorrendo desde 1975. Se manter o ritmo, a meta do milênio das Nações Unidas de reduzir à metade a desnutrição infantil “será largamente ultrapassada”.

A desnutrição no Bolsa-Família ainda é crônica nas Regiões Norte e Nordeste, com prevalência de 23,1% e 16,9% - ante os 9% e 11,8%, respectivamente, para o excesso de peso. Em todo o País, mais de 400 mil crianças atendidas pelo programa estão desnutridas. Na casa de Cícera Simone dos Santos, os filhos Vitor Alexandre, de 4 anos, e José Messias, de 5, servem de exemplo. Desde que a agente de saúde Judith Ana soube do drama das crianças, ela acompanha a família de perto.

Cícera, que estudou até a 7ª série, ignorava haver um problema grave, sobretudo com o filho menor. Vitor, quando tinha pouco mais de 1 ano, não parava em pé nem passava dos 8 quilos. Ficou internado três dias, recebendo soro e sangue. Cícera se penitencia. “Me senti irresponsável, tive medo de perdê-lo.” Com a multimistura que recebeu nas visitas da Pastoral da Criança, o sopão comunitário e os R$ 102 do Bolsa-Família, seus filhos deixaram para trás o fantasma da desnutrição.

Eduardo Nunomura

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