Desmate mantém pobreza na Amazônia, indica estudo

Os ganhos obtidos pelo desmatamento na Amazônia rapidamente desaparecem. Sobra apenas a pobreza que precedeu a exploração, mas sem os recursos da floresta que poderiam remediá-la.

Agência Estado |

A conclusão é de um estudo publicado hoje na revista americana Science .

Um grupo de pesquisadores analisou os indicadores de qualidade de vida de 286 municípios brasileiros na Amazônia e verificou que localidades com um processo de desmatamento em curso apresentam indicadores acima da média. Mas a prosperidade dura pouco. Municípios que devastaram suas florestas possuem índices semelhantes, do ponto de vista estatístico, ao de localidades onde as árvores ainda estão em pé.

Os cientistas dividiram os municípios em sete grupos segundo a extensão do desmatamento. Depois, calcularam a média do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) municipal em cada grupo. O IDH leva em conta variáveis como renda per capita, expectativa de vida e alfabetização. As localidades com floresta intacta ou devastada possuíam, em média, IDH próximo a 0,6 (o índice varia de zero a um). Nos municípios com metade da cobertura vegetal e grande atividade predatória em curso, o índice subia para 0,7.

Antecedentes - Um estudo realizado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), em 2000, intitulado Amazônia sustentável: Limitações e oportunidades para o desenvolvimento rural, apontava para o ciclo enriquecimento-declínio na exploração das terras da Amazônia.

O relatório Avanço da Fronteira na Amazônia: do boom ao colapso, publicado em 2007 pelo Imazon, relaciona a evolução do IDH ao fenômeno do desmatamento e do consequente empobrecimento do solo.

“Agora, também separamos cada uma das variáveis que compõem o IDH”, explica a pesquisadora portuguesa Ana Rodrigues, principal autora do trabalho publicado na Science . “A variação dos índices de alfabetização, expectativa de vida e renda per capita também seguiu o ciclo boom-declínio.” Ana realizou a maior parte da pesquisa na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Hoje, atua no Centro de Ecologia Funcional e Evolutiva em Montpellier, na França. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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