Desmatamento na Amazônia é o menor em duas décadas

Por Raymond Colitt BRASÍLIA (Reuters) - A destruição da Amazônia brasileira caiu para o menor nível nas últimas duas décadas entre agosto de 2008 e julho de 2009, disse na terça-feira o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

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Sua projeção se baseia em um relatório preliminar publicado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que apontou uma redução de 46 por cento no desmatamento.

Uma cifra definitiva, usando imagens de satélite em alta resolução, será publicada ainda neste ano.

Com base nos números divulgados na terça-feira, Minc estimou que entre 8.500 e 9.000 quilômetros quadrados de florestas tenham sido destruídos nesse período. No ano anterior, foram 12,9 mil quilômetros quadrados, e o auge foi em 2004, 27.329 quilômetros quadrados.

"Nós vamos ter o menor desmatamento em 21 anos", disse Minc em entrevista coletiva.

O desmatamento da Amazônia é provocado principalmente pela ação de madeireiros e pecuaristas. Minc atribuiu 90 por cento da redução à maior fiscalização.

Especialistas dão parte do crédito ao governo, mas dizem que a redução da demanda global por alimentos reduziu a pressão sobre a Amazônia.

"As medidas do governo parecem ter tido um impacto positivo, mas precisamos ver essa tendência confirmada durante uma alta na demanda por 'commodities'", disse à Reuters Paulo Moutinho, coordenador do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Ipam).

No passado, a destruição da floresta subiu junto com a demanda global por soja, carne e madeira.

Os Estados com a maior redução foram Rondônia e Mato Grosso, cujo governador, o produtor rural Blairo Maggi, costuma ser chamado por ambientalistas como "o rei do desmatamento".

"Mato Grosso --nosso bravo comandante Maggi-- deu uma contribuição significativa em derrubar... o desmatamento", disse Minc em tom de brincadeira.

No ano passado, o Brasil adotou a meta de reduzir em 50 por cento em uma década a taxa de destruição da Amazônia, maior floresta tropical do mundo. Minc está sob pressão para apresentar resultados antes da cúpula climática de Copenhague, em dezembro.

A destruição da floresta representava em 1994 até 75 por cento das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, mas atualmente isso caiu para cerca de 60 por cento, disse Minc na semana passada. A queima ou decomposição de árvores emite dióxido de carbono.

Neste ano, Minc queixou-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito da oposição de ruralistas e de outros ministros às suas iniciativas.

O ministro pretende deixar o cargo em março para disputar uma vaga na Câmara pelo PT fluminense, em outubro.

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