Desmatamento mundial está superestimado, diz Inpe

RIO DE JANEIRO - A quantidade de emissões de carbono causada pela destruição de florestas em todo o mundo provavelmente é bem menor do que a cifra de 20% usada amplamente, como prévia para as conversações mundiais sobre clima, em dezembro, em Copenhague, disse o diretor do instituto brasileiro que calcula o desmatamento na Amazônia.

Reuters |

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilberto Câmara, afirmou que a estimativa de 20% se baseou em dados inadequados, mas as nações ricas não têm interesse em questioná-los porque as cifras aumentavam a pressão sobre os países em desenvolvimento para que contenham a emissão de gases do efeito estufa.

"Não sou a favor de teorias conspiratórias", disse Câmara, em entrevista por telefone.

Agência Brasil
Desmatamento causa divergências
"Mas devo apenas deixar claro que os dois grupos que gostam desses números são as nações desenvolvidas, que gostariam de dar ênfase excessiva à participação dos países em desenvolvimento no carbono global, e os ambientalistas, naturalmente."

Uma estimativa menor das emissões de carbono decorrentes do desmatamento teria um impacto importante nas negociações de Copenhague, nas quais a preservação da floresta é um dos principais pontos da agenda.

Ressalvando que considera as taxas de desmatamento do Brasil altas demais, Câmara disse que cálculos recentes feitos pelo Inpe usando detalhados dados de satélite mostraram que a devastação da maior floresta do mundo responde por cerca de 2,5% das emissões anuais de carbono no planeta.

Considerando que a Amazônia representa cerca de um quarto do desmatamento mundial, um número de cerca de 10% para o total de emissões causadas por desflorestamento parece ser mais exato, disse Câmara.

Câmara afirmou que a cifra de 20% usada pelo Painel Internacional sobre Mudanças do Clima foi baseada em cálculos sobre amostras de florestas pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

O método da FAO indicou uma média anual de 31.000 quilômetros quadrados devastados na Amazônia de 2000 a 2005. Mas o método do Brasil, usando imagens de satélite para medir o desmatamento "pixel por pixel" é de longe mais preciso e mostrou uma cifra de 21.500 quilômetros quadrados no mesmo período, afirmou Câmara.

Tendência de queda

Para o período 2005-2009, a estimativa da FAO era o dobro em relação aos dados corretos, segundo Câmara.

"A FAO superestimou grosseiramente o desflorestamento no Brasil, e há análises que mostram que tal superestimativa também ocorreu em outros países, incluindo, claro, a Indonésia."

A Indonésia está entre os maiores desmatadores do planeta.

Câmara disse estar cético quanto a algum acordo no qual o Brasil seja recompensado por "desmatamento evitado" porque a taxa média de destruição no país permanece muito alta.

"Em 2004 foram desmatados 27.000 quilômetros quadrados e digamos que em 2009 sejam 10.000 quilômetros quadrados. Não é justo dizer que impedimos o desflorestamento de 17.000 quilômetros quadrados enquanto o nosso nível atual continuar ainda muito alto, e 90% desse desmatamento é ilegal."

"O conceito de evitar o desmatamento é um conceito fraco. Não resistiria a um exame detalhado", disse ele.

O desmatamento da Amazônia, que torna o Brasil um dos maiores emissores de carbono do mundo, está prestes a cair fortemente no período de um ano que se encerra neste mês de agosto, no qual é feita a medição.

Dados de satélite mostram que as novas grandes áreas desmatadas são quase metade da área do ano anterior, quando o desmatamento total foi de 12.000 quilômetros quadrados.

"Esperamos que o desmatamento vá cair. Em áreas onde foi alto em anos passados, como os Estados do Mato Grosso e Rondônia, está relativamente sob controle," disse Câmara.

Ao longo do último ano o governo tomou medidas para reprimir o desmatamento ilegal. A redução também pode ser atribuída à queda dos preços das commodities no último ano, que desestimulou os fazendeiros a removerem áreas de floresta.

Leia mais sobre: Inpe - desmatamento

    Leia tudo sobre: desmatamentoinpepoluição

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG