Desmatamento da Amazônia afeta imagem do etanol de outra origem

Por Inaê Riveras SÃO PAULO (Reuters) - A destruição da Amazônia é um problema não só para o etanol brasileiro, mas também para os biocombustíveis dos EUA e Europa, já que afeta o produto em geral, segundo representantes dessas regiões presentes ao Ethanol Summit em São Paulo.

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Eles pediram ao Brasil que combata a ideia de que a expansão da produção do etanol brasileiro significa desmatamento.

"Neste momento (a questão do desmatamento) está impactando o desenvolvimento dos biocombustíveis", disse o presidente da Associação dos Combustíveis Renováveis dos EUA, Bob Dinneen.

"Eu argumentaria que isso é injusto, porque não vejo qualquer relação entre a expansão do biocombustível e o desmatamento, mas essa não é a visão de ambientalistas em todo o globo. Então o Brasil precisa tratar dessa questão."

Na segunda-feira, o ex-presidente norte-americano Bill Clinton havia dito no evento que o Brasil precisaria controlar o desmatamento caso deseje efetivamente ampliar o mercado internacional do etanol.

Embora especialistas questionem essa ideia, muitos temem que a expansão do cultivo da cana no centro-sul do Brasil empurre a produção de soja e gado para mais ao norte, Amazônia adentro.

"Goste-se ou não, justificadamente ou não, algumas pessoas acreditam que usar biocombustíveis é uma ideia ruim. Se o etanol brasileiro reduz as emissões em 90 por cento ou não, é irrelevante para elas", disse o secretário-geral da Associação Europeia do Bioetanol Combustível, Rob Viehout.

"Precisamos demonstrar que não há desmatamento ocorrendo. Enquanto não soubermos, vamos penalizar todos os biocombustíveis", disse o representante da UE durante o evento, promovido pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

Embora em geral os participantes tenham defendido uma união do setor para demonstrar os benefícios do etanol sobre os combustíveis fósseis, ficou claro que diferenças regionais persistem, especialmente em torno da sobretaxa norte-americana ao etanol brasileiro.

"O objetivo sempre foi falar a uma só voz. Qual é o sentido, se estamos isolados?", disse Joel Velasco, representante da Unica na América do Norte, queixando-se também do fato de as discussões estarem centradas na agricultura, e não na energia.

Respondendo uma pergunta da plateia, Dinneen rejeitou a ideia de que o etanol de milho, produzido nos EUA, seja menos eficiente que o de cana, brasileiro. "Todo etanol é melhor que o petróleo, e precisamos deles todos", afirmou.

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