Desmatamento cai 35% na Amazônia em agosto

O Ministério do Meio Ambiente divulgou nesta quinta-feira que o desmatamento na Amazônia atingiu pelo menos 498 km² de floresta, em agosto. O total é 35% menor que o registrado no mesmo mês do ano passado. A área equivale a quase metade do município do Rio de Janeiro. Já no acumulado ano, o desmatamento passou de 5.675 km2 entre janeiro e agosto de 2008 para 2.454 km2 no mesmo período de 2009.

Sarah Barros, repórter em Brasília |

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, atribuiu a redução à ação ostensiva do órgão contra o desmatamento. "O desmatamento caiu porque caímos em cima deles. Antes o crime compensava porque não tinha punição", afirmou. Para Minc, o ideal é que a queda seja resultado do financiamento e fornecimento de alternativas para o desenvolvimento sustentável da região. "Espero que este seja o último ano em que a queda depende de um esforço brutal para combater o desmatamento."

Os números foram obtidos por meio do Deter, sistema de alerta baseado em satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que auxilia ações de fiscalização e controle do desmatamento.

Em agosto, o mecanismo apontou que 90% dos alertas foram confirmados como desmatamento. Destes, 73% foram classificados como corte raso, ou seja, completa retirada da floresta nativa, e 13% como floresta degradada de alta intensidade. Os demais indicaram áreas de degradação moderada ou leve.

Carlos Minc apontou que a redução está muito próxima da realidade levando-se em conta uma menor cobertura de nuvens no mês passado. Há dois anos, não tínhamos um céu tão aberto, com 17% de cobertura de nuvem, disse.

Em agosto do ano passado a cobertura era de 23%. Neste ano, as nuvens se localizaram principalmente sobre o Amapá, com cobertura de 64% por nuvens, durante o mês. Do total de área desmatada, 301 km² foram registrados no Pará e 105 km² correspondem a desmatamento no Mato Grosso.

O Pará continua na liderança muito forte. Isso significa que 60% do desmatamento está concentrado no Pará, afirmou Minc.

O ministério destaca que, apesar da predominância, houve redução de 48% na área desmatada no Pará e de 15% no Mato Grosso, na comparação com agosto de 2008.

Minc ponderou que o Pará tem mais estradas, rebanhos de gado e atividade da indústria madeireira. O ministro informou que entrou em contato com a governadora do estado, Ana Julia Carepa, para definir ações conjuntas, especialmente no manejo pirata.

Cargos

O ministro Carlos Minc salientou a necessidade de contratação de mais funcionários para manter as ações de combate ao desmatamento, não só na Amazônia mas também em outros biomas como Cerrado e Caatinga.

Minc relatou ação em área a 150 km de Brasília, nesta quinta-feira, quando foram destruídos 19 fornos de carvão, um trator foi apreendido e o responsável foi encaminhado para a delegacia. Quando começamos a correr atrás dos outros biomas, vemos que o desmatamento é massacrante, relatou o ministro.

Há um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional para a criação de mil cargos a serem preenchidos por concurso público. O ministério também pretende fechar, em outubro, convênios com nove Estados para reforçar a atuação de combate.

O órgão irá doar veículos para as polícias ambientais e, em contrapartida, os estados irão colocar mais pessoal no combate. Tem governador que gostam de mim. Outros não gostam tanto assim. Mas a partir do momento que assinam o convênio, eles se comprometem com coisas para dar músculos às operações, relatou Minc.

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