Deslizamentos de terra matam ao menos 22 pessoas em Angra dos Reis

SÃO PAULO (Reuters) - Três dias de chuvas provocaram grandes deslizamentos de terra em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro, matando ao menos 22 pessoas, a maior parte vítima do desabamento parcial de uma pousada situada numa encosta de Ilha Grande na madrugada desta sexta-feira. Segundo informações oficiais da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, equipes de resgate já retiraram 15 corpos dos escombros da pousada Sankay e de casas próximas, soterradas por toneladas de terra que se desprenderam do morro em direção ao mar, na região da praia do Bananal.

Reuters |

Redes de televisão dizem que pelo menos 10 pessoas foram resgatadas com vida dos escombros, cinco em estado grave. Elas foram transferidas para hospitais no Rio, em Angra e em São Paulo.

No centro de Angra dos Reis, no continente, foram confirmados mais sete mortos após o deslizamento da encosta do Morro da Carioca, onde várias casas foram soterradas.

A emissora de televisão GloboNews diz que já foram resgatados 17 corpos da pousada, 11 turistas e seis moradores. O número de mortos deve subir em virtude das festas de fim de ano, quando turistas costumam lotar pousadas em Angra.

"Provavelmente a Sankay estava lotada, todas as pousadas de lá ficam lotadas nessa época do ano. O turismo é muito grande por lá", afirmou à Reuters a assessoria de comunicação da Defesa Civil do Rio de Janeiro.

Informações ainda não confirmadas e citadas pela Defesa Civil do Estado indicam que a pousada Sankay tinha cerca de 40 turistas hospedados no momento do acidente.

Os contatos com a Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e com a polícia de Angra dos Reis estão prejudicados pela queda de barreiras em vários pontos da cidade. As linhas telefônicas estão congestionadas e a própria Defesa Civil do Rio de Janeiro está tendo dificuldades em se comunicar com Angra.

"É um quadro difícil, o presidente (Luis Inácio) Lula da Silva acabou de ligar, colocando a Marinha à disposição", disse o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, em declarações à GloboNews, referindo-se ao deslizamento da encosta em Ilha Grande. "As pessoas aqui falaram que nunca viram uma chuva como a que houve nessa madrugada".

ACESSO SÓ POR AR OU MAR

Imagens da praia do Bananal transmitidas pela televisão mostram uma grande faixa de deslizamento da encosta, onde ficavam a pousada Sankay e algumas casas, que foram totalmente destruídas. A água do mar ao redor está barrenta pelo volume de terra que se desprendeu do morro.

Barcos da Marinha e do Corpo de Bombeiros, bem como helicópteros e dezenas de homens de equipes de resgate estão trabalhando no local do deslizamento na ilha, cujo acesso só pode ser feito por mar ou ar.

"As equipes de resgate que trabalham lá dizem que há muita lama e barro ainda (sobre os escombros). Como a ilha não tem estrada, não há máquinas ou veículos pesados para ajudar na remoção da terra. O trabalho está sendo feito praticamente manualmente", afirmou a assessoria da Defesa Civil fluminense.

A cidade de Angra dos Reis decretou estado de emergência e luto de três dias pelas vítimas. A tradicional procissão marítima de Ano Novo, marcada para esta sexta-feira, também foi cancelada.

Chove desde quarta-feira no Rio de Janeiro. Segundo dados da Defesa Civil atualizados até a tarde de sexta-feira, há 44 mortos no Estado por causa das chuvas.

As chuvas também causaram desabamento de encosta sobre a rodovia Rio-Santos, que está parcialmente interditada na altura de Paraty (RJ).

(Por Alberto Alerigi Jr. e Ana Claudia Fonseca)

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