Designer japonesa cria coleção com pele ecológica

TÓQUIO (AP) - Brilhando na passarela da semana de moda de Tóquio nesta segunda-feira, lado a lado com um casaco de zibelina de US$ 50.000, está uma capa de poliéster costurado com chinchila que está sendo tratada como uma peça de pele ecológica.

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A capa, um bolero e diversos outros itens da designer japonês Chie Imai, usam pele de chinchila e mink de fazendas de pele. Mas as partes de tecido das roupas são feitas de poliéster reciclado de uma indústria de plástico e farmacêutica japonesa Teijin Ltd.

"Nós não alteramos nossa qualidade. E unir tecidos ecológicos à pele é um conceito fascinante", disse Imai.

"Pele ecológica" muitas vezes é um termo usado para retratar peles falsas, mas Imai usa peles reais. Suas criações chamadas de ecológicas usam tecidos de poliéster, além das peles. O bolero, por exemplo, tem acabamentos em pele, mas é constituído em grande parte de poliéster.

Imai é a mais atual das designers a misturar peles e tecidos sintéticos - apesar das acusações de ativistas dos direitos animais de que o termo ecológico só é usado para tirar a atenção das pessoas da crueldade da indústria de peles.

Imai argumenta que a pele em si é ecológica pois pode ser usada por gerações e "voltar à terra" como um material orgânico que não polui.

"Não estamos destruindo nada. Você não vai comer a carne? Usar sapatos e cintos?", ela diz.

A pele ecológica de Imai - de preços que variam entre US$ 12.000 para o bolero de mink e US$ 83.000 para a capa de chinchila - permite que sua clientela, que inclui a família real japonesa e celebridades como a atriz Sarah Jessica Parker, se sintam verdes, ela afirma.

"Elas querem fazer parte da onda ecológica, mas é difícil achar uma forma de fazer isso", disse Imai em um hotel de Tóquio, mostrando sua coleção 2008-2009 em que estréia sua pele ecológica.

Segundo ela, a pele deve ser vendida em todo o mundo até o final do ano.

A tecnologia da empresa Teijin produz cerca de sete mil toneladas de poliéster reciclado de roupas de poliéster, afirmou o porta-voz da companha Yoshihito Usami.

As roupas usadas são transformadas em pedaços de pano do tamanho de grãos de arroz e processadas com químicos e calor que lavam as cores, botões, zíperes e outros objetos que produzem o ingrediente básico para o poliéster.

De acordo com a companhia, reciclar três mil camisetas através desse método diminui as emissões de carbono em 77% e o consumo de energia em 84%, em comparação a produção do mesmo produto novo.

Mas a Teijin reconhece que a maioria dos tecidos reciclados é utilizado na criação de uniformes e roupas rústicas e que a colaboração na criação com peles animais é algo novo.

"A idéia principal da reciclagem é evitar o desperdício, o que não combina muito bem com a idéia de peles de luxo", disse Usami. "Isso é algo que fizemos como um experimento".

Peles de luxo geraram inúmeros protestos ao longo dos anos por conta dos possíveis maus tratos sofridos pelos animais.

"A idéia de uma 'pele ecológica' é um absurdo", afirmou Kristin Leppert, diretora da Fur Campaign at the Humane Society. "A indústria têm tentado tornar seus produtos mais amigáveis através de uma imagem mais 'verde', que busca tirar a atenção do fato que os animais continuam sofrendo".

Ashley Fruno, ativista da PETA asiática acredita que usar peles é algo desnecessário.

"Peles não são ecologicamente corretas pois não é possível se preocupar com o ambiente sem se preocupar com seus habitantes: os animais", disse Fruno.

Hiroe Tomura, 35, gerente de restaurante de Tóquio, que experimentava um estola creme de US$ 18.000, reconheceu que provavelmente não compraria uma pele ecológica.

"Mas com certeza me preocupo com a ecologia", ela disse.

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