Desgastados, petistas de SP apostam em união

Com o currículo manchado por escândalos políticos ou desgastados pela derrota nas urnas, quatro grupos de petistas paulistas, que no passado já bateram de frente na disputa interna da legenda, decidiram unir forças para assegurar seu espaço no PT. Empenhados em recuperar ao menos parte do prestígio dos velhos tempos, os deputados Antonio Palocci e João Paulo Cunha e os ex-ministros José Dirceu e Marta Suplicy já sinalizam que pretendem caminhar juntos nas principais decisões que serão tomadas no PT nos próximos meses.

Agência Estado |

O primeiro exemplo da aproximação ficou claro na semana passada, quando o PT escolheu seu novo líder na Câmara. Ligado a Marta e a Dirceu, o deputado Cândido Vaccarezza (SP) teve ainda a ajuda direta de Palocci e João Paulo para vencer o colega Paulo Teixeira (SP). Enquanto Palocci o apoiou abertamente, Dirceu telefonou a aliados para pedir que ajudassem no trabalho de convencimento dos parlamentares. João Paulo atuou, por exemplo, na captação do apoio de petistas como o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP). “Eu tive votos de várias correntes no PT”, comenta Vaccarezza, ao investir no discurso de que trabalha pela unidade partidária.

A união de forças vai além das articulações na Câmara. Pelo menos por enquanto, os quatro petistas e seus respectivos grupos estão decididos a caminhar juntos em 2010. O plano, até segunda ordem, é ter Palocci como candidato ao governo de São Paulo. A estratégia, porém, depende do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele aguarda uma decisão sobre o episódio da quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, que lhe custou a cadeira de ministro da Fazenda. “É bom para o Palocci, é bom para a Marta e é bom para o partido que tenhamos uma atuação conjunta. Houve divergências, em especial depois que Dirceu saiu do governo. Mas pensamos da mesma forma”, diz o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP).

Mesmo sem a certeza de que Palocci se livrará do processo no STF, a ideia de iniciar desde já essa aproximação tem outra motivação: barrar o quanto antes o avanço do nome do ministro da Educação, Fernando Haddad, para o Palácio dos Bandeirantes. Sem nunca ter disputado uma eleição e com pouco trânsito no PT, ele teve seu nome lançado por signatários da tese Mensagem ao Partido, mesmo grupo que tentou emplacar Teixeira na liderança do PT e cujo maior patrocinador é o ministro da Justiça, Tarso Genro, desafeto de Dirceu. Quando consultado sobre Haddad, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dito a aliados que não o descarta entre as opções. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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