Jean-Paul Gaultier prestou uma vibrante homenagem ao cinema, às estrelas da era de ouro de Hollywood e à atriz francesa Micheline Presle, que inspirou a vocação do estilista, na coleção apresentada nesta quarta-feira, último dia de desfiles nas passarelas da alta-costura parisiense.

"Fã de cinema", em suas próprias palavras, Gaultier desfilou mulheres sensuais em longos vestidos justos com cauda de veludo de seda, saias de crepe com estampados de penas e corpete com ombros e quadris articulados como uma armadura sobre vestido de tecido fluido.

Os babados de um vestido curto aparecem adornados com pequena penas em um desenho de tons de vermelho e bege combinando com o adorno da cabeça, com luvas compridas bem ao estilo de Rita Hayworth em "Gilda". O busto é ressaltado com drapeados e bordados. Sobre os vestidos, uma estola de pele forrada de musselina e casacos de pele levados nos ombros lembram as grandes damas do cinema dos anos 40.

Quando surge a noiva e os rostos de grandes atrizes são projetados um atrás do outro sobre o véu, sobrepostos ao rosto da modelo, o público aplaude, em êxtase. As imagens de Bette Davis, Grace Kelly, Marlene Dietrich e outras atrizes aparecem projetadas na parede, atrás do cenário decorado com projetores e ventiladores de cinema.

Gaultier quis homenagear principalmente a atriz francesa Micheline Presle, que fez sucesso mundialmente com o filme "O Diabo no Corpo" e trabalhou em vários filmes franceses, sendo melhor reconhecida em seu país.

O estilista explicou que viu Micheline quando era criança, no filme "Nas Rendas da Sedução" (Falbalas), de 1945, que "descreve perfeitamente o mundo da moda".

A personagem interpretada por Micheline, de blazer ajustado de ombros largos, maquiagem forte e chapéu, inspirou em Gaultier a vocação para criador de moda, disse o estilista.

O cinema foi objeto de homenagem também no desfile da maison Franck Sorbier. O estilista apresentou uma pequena coleção (cinco modelos masculinos e cinco femininos) com o título "Gueules d'atmosphère" (rostos de atmosfera), em alusão a uma célebre frase da atriz Arletty no filme "Hôtel du Nord".

"É uma coleção dedicada ao retrato, que fala verdadeiramente de rostos, de caras", declarou Sorbier, que apresentou sua coleção em modelos parados, sem desfile, em um estudo fotográfico, como a introdução de personagens de um filme.

"A ideia era fazer algo que não fosse um desfile. De qualquer forma, não teríamos os meios para fazer. Utilizamos tudo o que tínhamos", acrescentou o estilista, cuja maison atravessa, como tanta outras, dificuldades financeiras.

Os looks de Sorbier para o próximo inverno incluem uma grande veste de veludo bordado de fitas coloridas, um vestido de baile de fitas e cordões compridos e um casaco feito com um mosaico de telas.

Mostrando uma evidente melhor condição financeira, o libanês Elie Saab propôs uma coleção que definiu como de "arquicostura", inspirada em grande parte pela Art Nouveau, principalmente nos vestidos drapeados.

A paleta de cores é muito clara, com branco, madrepérola e marfim, que aparecem nos vestidos, casacos, nas rendas, flores bordadas, lantejoulas e franjas de musselina em recortes, apliques e detalhes preciosos.

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