Desembargadores absolvem o promotor Thales Schoedl por unanimidade

SÃO PAULO - Os desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo votaram, na tarde desta quarta-feira, pela absolvição do promotor Thales Ferri Schoedl, que matou Diego Mendes Mondanez, 20 anos, em Bertioga, em 2004.

Redação |

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O promotor foi julgado pelo Orgão Especial do Tribunal de Justiça e foi absolvido por unanimidade: 23 votos a 0. A sessão do julgamento começou por volta das 14h50 e seguiu até 17h30.

Onze dos desembargadores haviam pedido o adiamento do julgamento, mas os outros 12 votaram para que a ação penal fosse julgada nesta quarta. O Ministério Público ainda pode recorrer da sentença no Supremo Tribunal Federal (STF).

Schoedl foi acusado de ter matado Modanez a tiros e de ter atirado

AE
Thales Schoedl chora ao ser absolvido
Thales Schoedl chora ao
ser absolvido
também em Felipe Siqueira Cunha de Souza, de 21 anos, na Riviera de São Lourenço, em 30 de dezembro de 2004.

Segundo o promotor, ele e a namorada estavam saindo de uma festa quando um grupo de mais de dez rapazes teria mexido com a moça. Schoedl afirmou que agiu em legítima defesa. O argumento do promotor foi aceito pelos desembargadores.

Magistrados criticam a imprensa

Durante a manifestação oral de seus votos, quatro magistrados fizeram críticas à imprensa pela forma como o episódio foi retratado nos meios de comunicação. "Ao acompanhar pelos jornais, tive a nítida impressão de que o réu era culpado", afirmou um dos desembargadores. "Mas, ao examinar os autos, minha conclusão foi outra, como se estivéssemos tratando de casos distintos."

Um dos magistrados chegou a comparar o caso ao da Escola Base, quando, em março de 1994, proprietários e funcionários de uma escola de educação infantil foram acusados de abuso sexual de crianças, crimes que não cometeram.

A banca de acusação, composta pelo procurador Gilberto de Angelis e pelo advogado Pedro Lazarini Neto, iniciou os debates pedindo aos desembargadores que reconsiderassem a tese de legítima defesa, levantada já no ato do recebimento da denúncia (acusação formal à Justiça). Angelis disse ser "odioso" que uma autoridade faça uso de arma funcional para resolver questões pessoais. "Foi uma briga de moleques. E ninguém teve a prudência de se afastar."

A defesa do promotor, representada na tribuna pelo advogado Rodrigo Bretas Marzagão, gastou pouco mais de metade da uma hora a que tinha direito para desmontar a tese de seus opositores. "Ele (Thales) avisou que era promotor, disse que estava armado, mostrou a arma e nem assim as vítimas pararam", afirmou.

Marzagão disse ainda que exames de corpo de delito atestaram lesões nos braços de Thales, sinal de que as vítimas tentaram tomar a arma de sua mão. "Porque estava armado defendeu a própria vida", disse o advogado.

Promotor continua recebendo salário

Em nota, o Ministério Público de São Paulo disse que, por se tratar de julgamento na esfera criminal, a absolvição não altera a situação administrativa de Schoedl.

O promotor é amparado por liminar do Supremo Tribunal Federal, que o mantém afastado de suas funções de promotor desde setembro de 2007. Mesmo afastado, ele continua recebendo seu salário de aproximadamente R$ 10,5 mil.

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