Descobertos mil casos por dia no mundo de mieloma múltiplo

Atualmente, são descobertos cerca de mil casos de mieloma múltiplo por dia no mundo, de acordo com dados do National Cancer Institute. O número é quatro vezes maior do que os casos de leucemia.

Agência Estado |

Esses são alguns índices que alertam para esse tipo de câncer de medula que atinge as células plasmáticas (produtoras de anti-corpos), não tem cura, mas o diagnóstico precoce ajuda na qualidade de vida do paciente.

"O mieloma múltiplo é um câncer que atinge a medula óssea, material que preenche os ossos e popularmente é conhecido como tutano. Nesse tipo de doença há uma célula que invade a medula, que se chama plasmócito. A causa é desconhecida. Pode até haver mais de um caso na família, mas não é genético", afirma Vânia Tietsche de Moraes Hungria, professora adjunta da disciplina de hematologia e oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e diretora técnica da International Myeloma Foundation Latin America.

De acordo com Vânia, o mieloma múltiplo costuma atingir adultos acima de 60 anos. "Mas também temos encontrado casos em pessoas jovens", diz. Os sintomas provocados por esse mal aparecem lentamente. "O paciente começa a apresentar anemia, dores ósseas, problemas renais e fraturas patológicas. Como o sistema imunológico está comprometido, a pessoa também pode passar a ter infecções", explica João Carlos de Campos Guerra, médico hematologista, hepatologista clínico e vice-presidente do Centro de Hematologia de São Paulo e dos hospitais Albert Einstein e São Luiz Morumbi, ambos na capital paulista.

Para fazer o diagnóstico, os médicos pedem aos pacientes que façam exames específicos. "São pedidos a eletroforese de proteína e a imunofixação de proteína no sangue e na urina e o mielograma (estudo da medula óssea)", afirma Vânia. "O hemograma e o proteínograma, além de um Raio X do esqueleto também são solicitados", complementa Guerra.

Quanto antes for feito o diagnóstico, melhor para o paciente. "O diagnóstico precoce ajuda na qualidade de vida", alerta Vânia. "Mas, infelizmente, no Brasil o mieloma múltiplo é descoberto quando a doença já está muito avançada. Nos Estados Unidos, 25% das pessoas descobrem esse mal realizando exames de rotina", diz.

Tratamento

O tratamento, de acordo com Guerra, é feito com aplicações de quimioterapia e corticosteróides, talidomida e medicamentos específicos. "E quem tem condições clínicas satisfatórias pode fazer o transplante autólogo da medula óssea (altas doses de quimioterapia com resgate de células-tronco hematopoéticas). Para quem esse procedimento não é recomendado, o tratamento é feito com quimioterapia", diz Vânia.

O mais importante, segundo a médica, é estar atento aos sintomas e sinais. E quando a doença é descoberta, o paciente precisa ser bem hidratado e receber medicação correta para que seus ossos não enfraqueçam. "É importante que ele tenha excelente qualidade de vida. A terapia de suporte é fundamental", enfatiza Vânia.

Adriana Bifulco

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