Deputados pedem cessar-fogo em Gaza a embaixadores em Brasília

BRASÍLIA (Reuters) - Deputados federais visitaram nesta quarta-feira os embaixadores palestino e de Israel em Brasília para defender um cessar-fogo em Gaza. O embaixador de Israel, Giora Becher, classificou o Hamas de terrorista e disse que não haverá paz no Oriente Médio com grupos como o Hamas e o Hezbollah, no Líbano. Já o embaixador palestino, Ibrahim Al Zebem, afirmou que só haverá paz quando Israel desocupar os territórios palestinos.

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"Viemos pedir o cessar-fogo imediato e a possibilidade de ajuda humanitária plena para que os médicos possam entrar em Gaza, atender os feridos, e que sejam retomados o fornecimento de energia e de alimentos", disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Os deputados defenderam também a possibilidade de atuação em Gaza de uma força de paz internacional para mediar o conflito.

"Viemos em nome do Congresso e do povo brasileiro fazer uma pressão para que o Estado de Israel perceba seu isolamento internacional e possa recuar imediatamente da região", acrescentou Teixeira.

O embaixador de Israel disse aos parlamentares que a guerra em Gaza não é contra o povo palestino e sim contra "os terroristas" do Hamas, "que querem, destruir o Estado de Israel".

"Podemos, sim, ter paz no Oriente Médio, mas não através de organizações terroristas, como o Hamas e Hezbollah, e sim através de governos legítimos e moderados do mundo árabe e de Israel", afirmou Becher.

Para ele, a guerra só existe porque o Hamas iniciou ataques com foguetes contra civis israelenses. Israel lançou uma ofensiva contra a Faixa de Gaza no dia 27 de dezembro para deter o lançamento de foguetes do Hamas em seu território.

"De 600 mortos, a grande maioria é de terroristas. Lamentavelmente vocês não vão ver terroristas mortos ou feridos, vão ver sempre crianças e mulheres que são as maiores vítimas. Os terroristas do Hamas estão usando a população civil para as suas necessidades", atacou o representante de Israel, país que proibiu o ingresso de jornalistas na Faixa de Gaza.

"Vi agora há pouco uma foto de 300 terroristas entre 6 meses e dois anos", ironizou o embaixador palestino ao comentar a declaração do diplomata israelense. "Nada justifica esse massacre", acrescentou.

Ibrahim Al Zebem agradeceu a visita dos deputados e a posição brasileira de condenação aos ataques de Israel e disse que a crise humanitária na região é gigantesca.

O diplomata afirmou que a paz é possível, mas depende de vontade política de Israel, que, em sua opinião, ignora os clamores do mundo todo.

"Faz 60 anos que a comunidade internacional vem criticando o conflito. O que faltou sempre foi vontade política de Israel que ocupa nossos territórios e impede a formação do Estado Palestino. Todos os demais conflitos são efeitos dessa ocupação militar", afirmou.

Apesar da falta de diálogo entre palestinos e israelenses, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) acha que pode haver avanço se o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, se manifestar com firmeza.

"É preciso que Obama deixe bem claro se os EUA continuarão com a mesma postura de incentivar a guerra no planeta ou se terão uma nova postura de paz, com o diálogo como forma de resolução dos problemas", defendeu.

Nesta sexta-feira, o Centro Simon Wiesenthal divulgou nota contestando declaração feita pelo Partido dos Trabalhadores (PT), publicada no site oficial do partido no sábado, em que "condena terrorismo de Estado do governo de Israel contra o povo palestino".

Segundo a organização, "é irônico que um partido como o PT, reconhecido por sua tradição democrática e que chegou à presidência do Brasil respeitando as normas do Estado de direito, ataque desse modo outra democracia".

(Texto de Mair Pena Neto)

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