Deputados italianos aprovam moção por extradição de Battisti

ROMA - A Câmara dos Deputados da Itália aprovou nesta quinta-feira por unanimidade, com 413 votos a favor, uma moção que pede a intervenção do governo italiano para obter do Brasil a revogação do refúgio político dado ao ex-ativista Cesare Battisti e sua consequente extradição.

Agência Ansa |

O debate que precedeu a votação em plenário foi protagonizado pelos deputados do Partido Democrata (PD), de oposição, Giovanni Bachelet e Olga D'Antona, ambos familiares de vítimas de lutas políticas travadas no país.    

Nos discursos, os parlamentares criticaram também a França por dar refúgio a outros acusados de terrorismo na Itália.

AP

Battisti preso no Brasil em 2007

"Infelizmente na França e no Brasil há uma ideia completamente errada do terrorismo italiano", ressaltou D'Antona, que pediu à França que extradite ex-militantes de esquerda que ainda estão no país, como Marina Petrella, ex-integrante das Brigadas Vermelhas.    

Antes da votação, o deputado Bachelet também manifestou apoio à extradição de Battisti. Ele afirmou que sente "o dever de pedir justiça a um país amigo".    

O parlamentar definiu como um "sucesso da democracia" o fato de que "terroristas que pagaram sua dívida com a Justiça tenham saído da prisão e começado um percurso de reinserção".    

O político argumentou que a luta armada na Itália "não era uma forma de resistência a uma ditadura sanguinária".

Segundo ele, o que aquele período acabou provocando foi "o distanciamento do Partido Comunista Italiano da perspectiva do governo". "Ou seja, influenciou a história italiana de um modo não propriamente revolucionário", prosseguiu.

Bachelet disse ainda que a defesa de ex-militantes de esquerda é fruto de "desinformação".    

Por sua vez, Giuliano Cazzola, membro coalizão governista Povo da Liberdade, do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, culpou a França por Battisti ter recebido o refúgio no Brasil.    

"Se Battisti se encontra no Brasil é porque recebeu a hospitalidade da França, onde vivem na mordomia dezenas de terroristas", ressaltou. Antes de vir para o Brasil, Battisti viveu 14 anos na França, entre 1990 e 2004.    

Em entrevista concedida recentemente à imprensa brasileira, o ex-ativista revelou que a fuga para o país foi sugerida e facilitada por um funcionário do serviço secreto francês.    

O italiano foi condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos no fim da década de 1970, quando fazia parte da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).    

Preso no Brasil desde 2007, ele recebeu no dia 13 de janeiro o refúgio político do governo brasileiro, o que causou uma crise diplomática entre Brasília e Roma. O caso tramita agora no Supremo Tribunal Federal (STF).

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