Deputados insultam Minc durante críticas ao plano de preservação do Cerrado

BRASÍLIA ¿ Deputados da bancada agropecuária da Câmara criticaram o programa de monitoramento e preservação do Cerrado, anunciado nesta quinta-feira pelo Ministério do Meio Ambiente, e deram uma demonstração do embate que deverá ocorrer em relação às novas medidas.

Christian Baines, repórter em Brasília |


Os parlamentares chegaram a insultar o ministro Carlos Minc na tentativa de deslegitimar o plano. O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), e o deputado Luis Carlos Heinze (PP-PR) chamaram Minc de maconheiro, enquanto argumentavam contra o estabelecimento de novos limites ao desmate.

Segundo Caiado, o ministro não tem conhecimento suficiente do bioma da região Centro-Oeste e Sudeste do País para criar um programa como esse. O carioca Minc pode ficar tranquilo. Nós do Centro-Oeste não precisamos de conselhos dele não. Ele entende mesmo é de plantio de maconha. Nisso, ele é professor catedrático. Agora, de Cerrado, nós do Centro-Oeste é que entendemos.

Apesar de também desqualificar o ministro, Heinze procurou mostrar a importância da atividade agropecuária para a economia do País. O Cerrado é hoje umas das últimas fronteiras agrícolas que o Brasil tem. Na minha opinião, é possível conciliar o manejo da agricultura com a conservação. O que não pode fazer é criar mais um impeditivo ao desenvolvimento econômico desta região.

Favorável ao programa de ação do ministério e à aprovação da PEC do Cerrado, que torna o bioma ecológico em um patrimônio nacional, o deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), rebateu as críticas e garantiu que é possível evitar a exploração desenfreada sem prejudicar a economia. Eu acho que não tem como atrapalhar o desenvolvimento econômico não. É possível fazer políticas de agricultura sustentável nessas regiões. Sou a favor de um amplo debate para financiamento de práticas nesse sentido, disse.

Heinze criticou ainda a elevada quantidade de reservas ecológicas no Brasil . Nenhum país no mundo tem tantas áreas de reservas como o Brasil. Os países europeus todos já usaram seus recursos. A China está utilizando seus recursos como pode. E o Brasil, o que vai fazer? Vai fazer mais reservas. Quem vai pagar por isso? Os trouxas aqui do Brasil vão fazer isso só porque o Minc quer, só porque o maconheiro do Minc quer, questionou.

Guerra muito mais difícil

Durante o anúncio do programa de combate ao desmatamento do Cerrado, nesta quinta-feira, o ministro já havia previsto que a batalha contra os parlamentares da bancada ruralista seria dura. Vocês vão ver amanhã. O pessoal vai reclamar que foi cometido um atentado contra a agricultura brasileira. (...) Podem ter certeza que o combate ao desmatamento no Cerrado será muito mais duro do que da Amazônia, que não é mole não. A guerra, em matéria econômica, política e parlamentar, será muito mais difícil, disse.

O plano de ação foi elaborado para tentar diminuir o ritmo atual de destruição do bioma. Um estudo da pasta mostra que o desmate atingiu uma taxa anual média de 21.260 quilômetros quadrados entre 2002 e 2008. O número é mais que o dobro do previsto de desmatamento na Floresta Amazônica em 2009 ¿ que, segundo o ministro Minc, deve ser muito menor que 10 mil quilômetros quadrados. 

O mesmo levantamento aponta que o Cerrado brasileiro já perdeu quase metade (48,2%) de sua cobertura florestal original e que a destruição teve um crescimento nesse período de seis anos.

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