Deputados da CPI ouvem gravações contra Yeda Crusius

Sem quorum para votar requerimentos, os quatro deputados de oposição usaram mais uma sessão da CPI da Corrupção hoje para ouvir e tornar públicos os áudios obtidos da Justiça que indicariam que a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), tinha conhecimento da fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran entre 2003 e 2007. Duas das quatro conversas ouvidas são diálogos entre o empresário Lair Ferst, réu da ação penal da caso Detran, e Marcelo Cavalcante, ex-representante do governo do Rio Grande do Sul em Brasília, morto em fevereiro deste ano.

Agência Estado |

Em trechos delas, Cavalcante relata ter entregado uma carta que o empresário escreveu a Yeda descrevendo irregularidades no Detran e se dizendo alvo de pessoas corruptas. Também conta ao interlocutor que recebeu um pedido de Yeda para não deixá-lo desamparado.

No ano passado, Cavalcante disse à imprensa que não havia entregado a correspondência a Yeda porque o relato feito por Ferst não estava acompanhado de provas.

Além das conversas entre Cavalcante e Ferst, os parlamentares também ouviram dois grampos feitos pela Polícia Federal em maio do ano passado, quando a fraude do Detran já havia sido descoberta e suas conexões políticas eram investigadas por uma CPI na Assembleia Legislativa. "O que ouvimos hoje indica fortemente o envolvimento da governadora", comentou, ao final da sessão, a presidente da CPI Stela Farias (PT).

Os aliados do governo, que seguem boicotando as reuniões, exigem que a presidente da comissão coloque em votação um plano de trabalho elaborado pelo PSDB para voltar às reuniões. Também afirmam que as provas que estão sendo acessadas pela minoria oposicionista não têm valor formal porque foram obtidas em nome de Stela e não da CPI.

O advogado de Yeda, Fábio Medina Osório, afirma que as gravações ouvidas pelos deputados já foram analisadas pela juíza federal Simone Barbisan Fortes, que negou o bloqueio de bens da governadora e não viu nelas força vinculante para evidenciar relações do governo com os fatos.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG