Deputados da CPI divulgam novas escutas contra Yeda

Os quatro deputados de oposição usaram mais uma sessão da CPI da Corrupção, hoje, para ouvir e divulgar escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal durante a Operação Rodin. A medida foi uma tentativa de forçar os oito parlamentares favoráveis à governadora Yeda Crusius (PSDB) a comparecer à próxima reunião para defender a tucana e seus aliados colocados sob suspeita de terem se beneficiado da fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran entre 2003 e 2007.

Agência Estado |

Desde que foi instalada, em 26 de agosto, a comissão vive um impasse. A bancada governista boicota as reuniões alegando que a presidente da CPI, Stela Farias (PT), não coloca em votação um plano de trabalho elaborado pelo relator Coffy Rodrigues (PSDB). Os oposicionistas, por sua vez, sustentam que a organização dos trabalhos é tarefa do presidente. Assim como na sessão de quinta-feira passada, os novos áudios mostram outras conversas de réus da ação penal decorrente da fraude do Detran indicando, segundo interpretação feita pela oposição, que a governadora sabia das irregularidades e se aproveitava delas.

Numa das gravações, o ex-presidente do Detran Flávio Vaz Netto, conversa com uma interlocutora identificada somente como Fabiana no dia 21 de maio do ano passado, dizendo que ninguém se mexe para defendê-lo e ameaçando contar aos deputados da CPI do Detran o que não teria relatado num depoimento que já havia dado. "Vou pedir para voltar à CPI, vou delatar o Delson Martini (então secretário-geral de governo) e a governadora", afirma.

Além de dez áudios, os deputados também assistiram ao vídeo de um depoimento prestado pelo ex-presidente do Detran, Sérgio Buchmann, ao Ministério Público Federal em julho deste ano, pouco depois de ter se afastado do cargo. Por cerca de dez minutos, Buchmann narra dificuldades para fazer mudanças na autarquia e um pedido que teria recebido do secretário-adjunto de Administração, Genilton Ribeiro, para não falar sobre os problemas do Detran à imprensa. À pergunta "por que me botaram aqui?", feita por Buchmann, Ribeiro teria respondido "a gente pensou que tu eras um dos nossos e tu tens fachada de honesto", segundo a narrativa do primeiro.

Buchmann também relata ter ouvido seu interlocutor dizer que a governadora era chantageada por seu próprio marido, Carlos Crusius, por Flávio Vaz Neto e por Lair Ferst. Além disso, conta que Genilton narrou que Crusius atuou diretamente na divisão dos porcentuais da propina distribuída a participantes dos desvios do Detran dizendo a Ferst que numa nova divisão 1% ficaria para o empresário e 11% para o casal Crusius.

A governadora não abordou o caso nesta segunda-feira, mas sempre que falou sobre o assunto negou participação nas irregularidades. O advogado de Carlos Crusius, César Bitencourt, disse à imprensa gaúcha que não há provas lícitas contra seu cliente e que Buchmann fez acusações sabendo que estava sendo gravado. Ribeiro alega que a conversa citada por Buchmann não existiu e moveu ação criminal contra o ex-presidente do Detran. O deputado Marco Peixoto diz que, como líder partidário, acompanhou diversas audiências com a governadora sem jamais tratar do caso Detran. A defesa de Vaz Netto sustenta que a oposição usa as gravações fora de contexto.

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