Deputados aprovam reajuste de 6,5% para policiais civis, mas greve continua em SP

SÃO PAULO - Por 12 votos a 4, os deputados paulistas aprovaram o Projeto de Lei número 59, que determina o reajuste de 6,5% no salário base dos policiais e delegados de polícia. A votação foi acompanhada de perto pelos grevistas da Polícia Civil, que foram à Assembléia Legislativa de São Paulo nesta terça-feira pressionar os parlamentares. Mesmo com a confirmação do aumento salarial, os líderes da categoria informam que a greve, que completou 49 dias, deve continuar por tempo indeterminado e que o movimento irá reforçar suas ações em todo o Estado.

Filipe Ferrato |

Acordo Ortográfico Hoje é o primeiro dia da sessão conjunta que reúne deputados da Comissão de Orçamento e Finanças e também da Comissão de Segurança Pública, além de representantes dos sindicatos e policiais civis. Os deputados tem 15 dias para divulgar o resultado da votação dos cinco projetos de lei encaminhados pelo governador José Serra, que correm em regime de urgência. A categoria ainda não entrou em acordo. Eles exigem um reajuste de 12% este ano, outros 15% em 2009 e mais 15% em 2010. O governo, por sua vez, encaminhou os projetos de lei à Assembléia oferecendo 6,5% até o fim deste ano, 6,5% em janeiro de 2009 e outros 6,5% em janeiro de 2010.

Nesta primeira etapa que precede a votação no plenário, a aprovação da proposta do governo gerou críticas entres os grevistas presentes. Aos gritos de "vergonha", os policiais acusaram os parlamentares de terem deixado de lado o projeto 57, que trata da aposentadoria especial para a categoria, para votar o de número 59, que poderia reduzir em parte a paralisação iniciada no dia 16 de setembro.

O deputado Major Olimpio (PV), que já manifestou apoio aos grevistas, criticou os parlamentares da base governista que aprovaram o texto. Apenas um deputado se absteve na votação. Eles até podem ser aliados, mas não podem ser alienados, condenou. Olimpio disse, ainda, que o relator, o deputado Roberto Engler (PSDB), não conhecia amplamente o conteúdo dos quatro projetos apresentados nesta terça-feira.

O deputado afirmou que a greve irá continuar e que os manifestantes devem intensificar os protestos em todas as cerimônias em que José Serra estiver presente. As propostas [do governo] são uma afronta, completou.

Já o líder do governo, Barros Munhoz (PSDB) saiu em defesa do governador e negou que Serra tenha orientado os parlamentares da base governista a não ceder durante a discussão das propostas apresentadas. "Aqui não tem ninguém que acate a ordem dele. Nós partilhamos de um governo representado por aquilo que nós acreditamos", disse.

Munhoz ressaltou que Serra já enviou, até hoje, mais de 35 projetos de lei para a Assembléia Legislativa na tentativa de melhorar a situação dos servidores públicos de São Paulo. "Eu acho até injusto acusar o governador, que é o primeiro em 30 anos que faz aquilo que os servidores querem, como, por exemplo, retroagir a aposentadoria especial de 35 para 30 anos e não dar mais aumento em forma de gratificação e sim, através de reajuste no salário base", disse Munhoz.

Os deputados contra o texto aprovado foram: Enio Tatto e Rui Falcão (Comissão de Finanças), Wanderlei Siraque e Major Olimpio (Comissão de Segurança). Tatto afirmou que a oposição vai tentar obstruir a votação, pois não concorda com os rejustes propostos. "O governo está inflexível. Realmente é uma ditadura; não querem abrir negociação, não querem dialogar, nem ceder em nada", disse o deputado.

Reivindicações

Durante o recesso, os policiais presentes chegaram a reclamar que os representantes das 19 entidades da Polícia Civil e 22 da Militar não foram ouvidos. Apenas três grupos foram consultados, entre eles o Sindicato de Delegados da Polícia Civil de São Paulo, representado por José Leal.

A primeira sessão de votação, que teve início às 10h15, demorou 4 horas para ser finalizada. Na volta do recesso, integrantes da bancada da oposição tentaram barrar a votação alegando que o plenário Dom Pedro I, onde aconteceu a sessão, não tinha condições de abrigar as comissões. Eles apelaram para a falta de água e de café para tentar dar fim aos trabalhos e também criticam o fato de a TV Assembléia não transmitir ao vivo toda a votação.

Protesto frustrado

Os grevistas planejavam para esta manhã uma manifestação com carro de som durante a renomeação da Estação Imigrantes do Metrô, que agora passa a se chamar Santos-Imigrantes. Na cerimônia estavam presentes o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, o goleiro Fábio Costa, capitão do time, e o craque Pelé, além de outros jogadores da época de ouro do Santos, como Pepe e Serginho Chulapa. 

O governador José Serra não participou da cerimônia e, segundo o Major Olimpio, este foi o motivo para o protesto não ter acontecido. "O Serra fugiu. Só não fizemos barulho em respeito ao Santos", salientou. Apesar de toda a parcimonia por parte dos manifestantes durante a homenagem, os sindicalistas que estavam no local já organizam uma megapasseata no centro de São Paulo para o próximo dia 15.

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